Mangueira

Grupo: Especial
Fundação: 28 04 1928
Cores: Verde e Rosa
Presidente: Chiquinho da Mangueira
Vice presidente: Nelson Sargento
Carnavalesco: Leandro Vieira
Interprete: Ciganerey
Mestre de bateria: Vitor Art e Rodrigo Explosão
Diretor de carnaval: Júnior Schall
Diretor de harmonia: Dimichel Velasco e Sérgio Lucchesi
Mestre sala: Matheus Olivério
Porta bandeira: Squel Jorgea
Rainha de bateria: Evelyn Bastos
Endereco: Rua Visconde de Niterói, 1072 - Mangueira - Rio, RJ - CEP 20943-001
Telefone: (21) 3872-6786 e (21) 2518-8327 (quadra) e (21) 2518-8327(barracão)
Coreógrafo da Comissão de Frente: Júnior Scapin
Telefone: Barracão 13 - Cidade do Samba - Rua Rivadavia Correa, 60 - Gamboa - CEP 20220-290
História

A FUNDAÇÃO DA COMUNIDADE DA MANGUEIRA

Após a Proclamação da República, com a saída da família imperial do Brasil, a Quinta da Boa Vista, jardim do imperador, tornou-se um matagal abandonado, sendo aos poucos invadida pela população errante, que lá ia construindo suas casas. Por abrigar, na mesma área, o quartel do 9º Regimento de Cavalaria, ali moravam também diversas famílias de soldados.

Em 1908, o prefeito do Rio, Serzedelo Correia, resolveu demolir os barracos e expulsar os invasores. Os soldados expulsos, juntamente com os demais moradores, solicitaram ao comandante do Regimento autorização para levar o material das demolições e, com ele, levantar novas moradas num outro local. Atendido o pedido, o local escolhido pelos retirantes foi o lado quase vazio do morro da Mangueira, espólio do português Francisco de Paula Negreiros Saião Lobato, o Visconde de Niterói, que recebera as terras de presente do imperador. O primeiro morador do morro foi o cabo ferrador Cândido Tomás da Silva, o Mestre Candinho.

Em 1916, chegaram outras famílias de ex-escravos, transferidas do Morro de Santo Antônio, que havia sofrido um incêndio. Quando chegaram, já encontraram barracos para alugar, construídos por outro português, Tomás Martins, arrendatário das terras do visconde. Quem ia mensalmente aos barracos cobrar aluguéis era o afilhado de Tomás, um rapazinho de 14 anos, que nascera ali mesmo, no dia 3 agosto de 1902. Esse adolescente, que já exercia tal tarefa desde os 8 anos de idade, era Carlos Moreira de Castro, que ficaria conhecido como Carlos Cachaça.

Mangueira e seus carnavais

No Carnaval carioca, a Mangueira venceu 17 vezes o desfile. Entre os sambas-enredos que viraram clássicos do gênero estão "Vale do São Francisco" (1948), "As Quatro Estações do Ano" (1955), "O Grande Presidente" (1956), "Casa Grande e Senzala" (1966), "O Mundo Encantado de Monteiro Lobato" (1967), e "Cem Anos de berdade, Realidade ou Ilusão" (1988).

Ano do enredo: 2017
Título do enredo: Só com a ajuda do Santo
Descrição do enredo:

“Te corto, te talho. Corto-lhe a cabeça, corto-lhe o rabo, corto-lhe o coração. Só o corpo da gente é que não. Pra trás irás, pra frente não passarás. Onde principiais, lá acabarás.” (Reza popular)

Pra tudo que é santo vou apelar. Para o santo de casa, para o santo de altar. Vou bater na madeira três vezes, vela acesa, copo d’água. Galho de arruda pra espantar quebranto e mau olhado. Vou saudar o Benedito, e se a graça eu alcançar, tem zabumba e reco-reco, ponho a congada pra desfilar. Vou pedir aos Santos Reis, afastar os móveis da sala, abrir portas e portões, dar licença para os mascarados “vadiá” no salão. Bordar uma bandeira pro Divino. Pedir a São João. Cortar papel fino pra fazer balão. Enfeitar de cravos e rosas a capelinha de melão. 

Botar “guri” pra ser anjinho de procissão. Bendizer o “meu Padim.” Me apegar com a “Mãezinha” pra desatar qualquer nó. Carregar andor, pegar na corda. Na terceira onda que quebra na praia, lançar no balanço do mar: perfume, rosa, espelho e pente, pra Inaê, Marabô, Janaina se enfeitar. 

Se pro velho Pedro já pedi que abrisse os portões dos céus e mandasse chuva pro roçado; se Santo Antônio, depois da judiação de tomarem-lhe o menino, à moça solteira já deu matrimônio; se São Sebastião é padroeiro do meu Rio de Janeiro, se São Francisco é quem protege os animais; se Santa Clara ilumina o caminhar; se bala, pipoca e guaraná agradam Cosme e Damião; vou me curvar aos pés do guerreiro, São Jorge fiel escudeiro. Por ordenança da Virgem Maria, ele é o “praça” que vai à frente da minha cavalaria. 

Para me cercar de todo lado vou firmar ponto pro “santo” que baixa no terreiro. Pôr amuleto nos pés do gongá. Pra cortar demanda, me embrenhar nas matas e “saravá” seu Sete Flechas. Mandar fazer três capacetes de penas, um pra Iara, um pra Jandira, e um pra Cabocla Jurema. Jetruá pra saudar o Boiadeiro. Cantiga para o Marinheiro. Marafo, mel e dendê na farofa. Rezar para as Santas Almas, “Preta Velha, negra Mina da Guiné o inimigo que caia, e que eu, fique de pé”. É bom lembrar, não pode faltar, a proteção do Orixá. A Mangueira quer passar e comandar a procissão. Seu verde e rosa, todo mundo sabe, faz tempo já virou religião. Pra cruzar o seu caminho, é bom saber pisar. Traz mistério, crendices e magia. Não se engane: Só quem pode com a mandinga, carrega patuá. 

P.S: Expedito, você que é dado ao impossível, será que fazia mal, chegar no ouvido do pai, e interceder por mais esse carnaval? 

Carnavalesco:
Leandro Vieira.

Pesquisa, desenvolvimento e texto - Julho/2016

 
Ano do enredo: 2016
Título do enredo: Maria Bethânia, a menina dos olhos de Oyá
 
Ano do enredo: 2015
Título do enredo: "Agora chegou a vez vou cantar: mulher de Mangueira, Mulher Brasileira em primeiro lugar"
 
Ano do enredo: 2014
Título do enredo: “A festança brasileira cai no samba da Mangueira”
Descrição do enredo:

Salve o povo brasileiro, que dá duro o ano inteiro pra poder comemorar. Até na prece não esquece de mostrar sua alegria. Faz da vida fantasia, espanta a dor com maestria, não se vexa nem se aperta, liga a chave de alerta e cai no samba noite e dia. O mundo fica admirado e com o olho arregalado sempre diz: não existe outro lugar, nem carece procurar, com um povo tão feliz.

O Brasil é uma festa sem hora pra acabar – o negócio é festejar. Festa grande, multidão. Festa ao vivo na televisão. Abram alas pra Mangueira, pra festança começar.

Como diz Pero Caminha em sua carta inaugural, relatando o desembarque da esquadra de Cabral, o que se viu foi uma festa – a primeira, neste solo tropical. Ao som de um tamboril, precursor da bateria, um pouco de Brasil despertou naquele dia. O festejo noite a dentro de chegados e locais teve baile e cantoria num embalo musical. Foi a pedra fundamental do país do Carnaval.

Ninguém diz com precisão, mas na imaginação dá pra ver a patuscada. No auge da noitada, Cabral põe seu dobrão de lado, dança como Delegado e comanda a batucada.

A dança ritual do habitante local faz a fila, um a um, sem contato pessoal. Mas Diogo e seu gaiteiro botam fim na solidão. Quebram o gelo da distância, chamam o índio para a dança e seguram sua mão. Esse gesto tão singelo num zás criou o elo que selou o bem-querer. E a festa rola animada na mata enluarada até o dia amanhecer. Bendito este lugar, a Terra de Vera Cruz. Que nasce a dançar, e cantar, afagado pela lua e banhado por sua luz.

Mas logo o branco impõe seu jeito, importado e contrafeito. Canto triste e oração era tudo que podia, nem pensar em alegria, ao andar da procissão. Na treva medieval imperava o reino da sisudez: cavaleiro de libré, e o asno com seu jaez. Durou pouco, felizmente, para o bem da nossa gente, essa quadra da História. O negro escravo com seu canto traz de novo todo o encanto que estava na memória. A cultura africana, de forte raiz tribal, faz então o contraponto da linhagem imperial.

Chico Rei é coroado, em Vila Rica aclamado, como no Congo seria. Nasce então o Congado, até hoje celebrado com teatro e cantoria. O povo se contagia, mão no terço outra na guia, a vida vai melhorar. Bota fé no sincretismo, e sem perder o misticismo junta santo e orixá.

O sincretismo é parceiro desse jeito brasileiro de acender as suas velas – de todas as fés, e todas tão belas! No ponto e na oração, como manda a tradição, dois de fevereiro tem regata em procissão. Logo cedo de manhã, nesse dia, na Bahia, a rainha é Janaina. O povo reza pra santa mas lança oferendas ao mar, em louvor a Iemanjá. Está no seu DNA.

De norte a sul, de lado a lado, festa do boi e Congado, festa de santo e xaxado, o povo leva o seu refrão. Faça sol ou caia chuva tem no sul Festa da Uva – e dá-lhe feriadão!

O São João do Nordeste arrasta multidões. O céu fica pintado de estrelas e balões. A moça dança quadrilha com o seu cara-metade, depois clama a Santo Antonio por um noivo de verdade. Campina Grande, Caruaru, Mossoró, Aracaju, sem falar da velha Assu de antiga tradição. Tapioca e arroz doce ao lado da fogueira e a caneca de quentão pra durar a noite inteira.

É matraca, é zabumba, é boi pra todo lado. De Pernambuco ao Maranhão o boi é venerado. Catirina come a língua e provoca confusão, mas o boi se reanima e pede comemoração.

Até na selva brilha a luz da cultura popular. Parintins é um milagre que me custa acreditar. O artesanato da floresta faz da festa um boi de criatividade que divide a cidade. É Garantido, é Caprichoso, a maior rivalidade.

Com a alma repleta de amor – e bom humor – lá vem ela com seu charme natural, pintando o Arco-Iris no meu Carnaval. Não podia faltar, eu sei, e é por isso que eu convidei o pique da moçada da Parada Gay.

Para acelerar meu coração, hoje eu me acabo na paixão, quero transpirar felicidade – e viva a diversidade!

E quando o ano termina a galera de branco se anima num clarão monumental. O réveillon anuncia que mais dia menos dia chega outro Carnaval.

Nada se compara, no mundo inteiro, ao Carnaval do Rio de Janeiro. A multidão invade a rua, que é sua, revivendo velhos carnavais. Com saudade das Grandes Sociedades, e do corso que não tem mais.

Salve o Carnaval de rua e o Cordão da Bola Preta! Salve o bloco e o folião que desdenha a aflição e segura a chupeta.

Glória a todas as Escolas e seus sambistas imortais. Seu reinado nesta agrada pista não acaba, não se encerra. Dura enquanto houver aqui, na Sapucaí, o maior show da Terra.

Só que a festa continua, para toda a eternidade. O que não falta é alegria e amor nesta cidade!

Glossário:

Diogo Dias é o almoxarife da esquadra de Cabral que ensinou os índios a dançar de mãos dadas.

Libré, uma vestimenta europeia solene.

Jaez, um enfeite para a cabeça do asno (burro, jegue).

Catirina, escrava, grávida, tem o desejo de comer a língua do boi sagrado, que ressuscita – e começa ai a Festa do Boi.

 
Ano do enredo: 2013
Título do enredo: "Cuiabá: Um Paraíso no Centro da América!"
Descrição do enredo:

 

Ouçam o apito da sirene que indica que o trem verde e rosa vai dar a partida. Não cuiabanos! Não se trata da máquina de ferro e aço que há 150 anos é esperada ansiosamente; mas, quando a cortina de fumaça dos fogos de artifício se abrir e a penumbra se dissipar, todos entenderão que o sonho é a verdadeira vitória sobre o tempo. Alegrai-vos cuiabanos de tchapa e cruz1 e de coração. O tempo da espera acaba aqui e agora! Todos a bordo, acomodem-se. Olhem através das janelas de suas almas e vejam, a cada estação, a memória cuiabana em desfile. Por alguns instantes, deixem-se levar pela imaginação; não como alguém que se perdeu no tempo à espera do trem, mas com a sabedoria daqueles que fazem do tempo o combustível que alimenta a esperança.

Estação Primeira: Mangueira.
O trem está em movimento e os músicos mangueirenses fazem rufar a Bateria Surdo Um. Há uma apoteótica celebração de boas-vindas. Personificado na "lúdica permutação dos nomes próprios em apelidos 2", eis o maquinista dos versos: Mestre Jamelão. O nosso eterno intérprete de sambas-enredo dá o tom à memória dos "gênios anjos mangueirenses"- Cartola, Carlos Cachaça, Zé Espinguela, Nelson Cavaquinho, Dona Zica, Dona Neuma, Mocinha, Xangô da Mangueira entre outros, que, juntos, saúdam e convidam todos os presentes a embarcarem nesta viagem rumo ao "Paraíso no Centro da América". Partindo da Estação Primeira, o trem mangueirense percorrerá os trilhos da história da "Cidade Verde", a capital do Mato Grosso, e revelará para o mundo, tal qual o antigo sonho de integração, este deslumbrante rincão fincado no coração do Brasil. Cuiabá, também conhecida como a Cidade Verde, a partir de agora, passará a ser chamada de Cidade Verde e Rosa!

Estação: Eldorado.
Como se emergisse das cristalinas águas dos rios, com sua imponente farda, "General Saco", habitante do reino das riquezas, recebe a nossa composição. Celebra nossa presença com a história de fundação de Cuiabá.

Nomes havia muitos para a mesma situação: negro sabre, branco espada, índio tacape, flecha e facão. Mas é no garimpo que se miscigenaram, num só princípio de unidade geral, construindo da geração espontânea de cada célula que se agrega e vai dando subsídios ao nascimento de uma consciente e sólida civilização.

Desbravam o fabuloso espaço fluvial-lacustre habitado por criaturas fantásticas, guerreiros indígenas e enfeitiçados pela farta quantidade de ouro encontrada; imaginam-se no cobiçado Eldorado, um lugar onde tudo era de ouro e pedras preciosas, até mesmo os nativos, os bichos, as flores e as frutas, segundo relatos dos próprios Bandeirantes.

De invasão em invasão, uma audaz expedição ficou na memória. Pascoal Moreira Cabral escreve a epopeia da nossa história:

Parte à frente de uma Bandeira
E de Tordesilhas
Rompe a linha divisória...
Descobre ouro às margens do Rio Coxipó,
Funda, em 1719, o primeiro povoado português,
Cuiabá.
Uma só essência! Terra boa e altaneira.
Não importam mais os maus tratos de uma fúria transitória,
Cuiabá orgulha a pátria brasileira,
ostentando imortal passado de glória.

Estação: Mitos e Lendas.
Nossa composição segue pela penumbra das matas... Recebidos por "Antônio Peteté", andarilho de vida pacata e dono de um leque fabuloso, nos conta sobre os causos cuiabanos.

Há muito tempo ouve-se falar na presença de um monstro em forma de serpente, chamado minhocão, que habita o rio Cuiabá. Relatos vão de simples aparições até contatos da embarcação ou táteis com o ser, como tocar a canoa na cobra ou descer em seu lombo, pensando ser terra firme.

Por esse mundão cuiabano, vaga uma cobra de fogo que assombra as pessoas, conhecida como Boitatá e tem também um velho índio, que se transforma em pássaro encantado ao anoitecer - o Tibanaré. Já nas matas virgens e no cerrado, mora uma criatura que só tem um pé, o Pé-de-garrafa. E se, em uma noite sem lua, você se encontrar com uma mulher vestida de noiva perambulando pelas ruas cuiabanas, afaste-se, porque é o fantasma da Dama de Branco.

Entre lendas e mistérios, quem nunca se arrepiou ao saber, depois de comer a cabeça do pacu4, que uma das suas virtudes é ser casamenteiro? Ou quem não saiu em busca de novos desafios à procura da perdida "mina dos martírios"? Pois bem, abençoados pela Mãe d'Água, tudo isso faz parte do nosso imaginário popular. É tudo cultura, como em toda literatura, e cuiabana é a sua assinatura.

Estação: Arte e Sabor
Declamando um poema de amor, lembramo-nos dos tempos de menino... "Joga peteca, salta ioiô", o trem da Mangueira apresenta o artesanato e a culinária brincando com "Zé Bolo Flor".

Na cerâmica e no traçado, como em todo o artesanato e no chão simples da rua que a vida chega pra se mostrar, se come, se bebe, se dança, a vida é uma festança em cada feira popular. Expõem nas janelas: redes, mantos, caminhos de mesa, cativando quem passa pra namorar ou comer um doce chamado furrundu, de sabor tão peculiar.

E olha que a criatividade não é pouca! Se não pega pela arte, nos seduz pela boca. Haja fome, meu irmão, o cardápio é indicado – nem falo da farofa de banana ou da mojica de pintado. Nem da paçoca de carne seca, muito menos do maxixe recheado – que, aí, seria um pecado. Em Cuiabá, a alimentação é sagrada: come-se de tudo, não tem conversa fiada. Duvido que alguém resista à cajuada, ao arroz de pequi, ou à saborosa cabeça de boi assada.

Estação: Festas de Santos.
Sob o "arco da iluminação", aportamos. Curandeira de mão cheia, "Mãe Bonifácia", organiza o muxirum5 para início dos festejos. Redenção! Goza o povo de um amor à divina celebração. Fazem da crença uma confiança obstinada e, da reza, um canto em homenagem à Festa do Divino Espírito Santo de Cuiabá.

Com a pureza no olhar, pedem a benção a Bom Jesus, o padroeiro do lugar. Em procissão, louvam São Benedito, como crença de sua devoção... Festeiros, esmolas, bandeiras, cerimônias do mastro, procissões fluviais enlaça-nos em tal predestinação. Depois da promessa, não há quem resista à tamanha tentação. Seguem os cortejos da queima de fogos e dançam quadrilha de São João.

Um momento precioso!
Dançam o "São Gonçalo", como parte significativa da religiosidade rural, onde o santo é um deus infinito que lava as dores e enxuga o pranto. Ecoa das violas de cocho, das batidas do mocho e do ritmo do ganzá, a genuína musicalidade cuiabana. No registro do saber, o povo se mistura num tempo puro e sem pecado. Na dança e no canto, quem gira chega dando seu recado - com o cururu, siriri e rasqueado.

Sucede que as festas de santo têm lá seus mistérios... Nelas misturam-se o laico e sacro numa simbiose natural - danças, rezas, músicas, brincadeiras e religiosidade. Inspirados, e bem na hora da partida rumo à próxima estação, chegam os mascarados com suas vestes coloridas, dançando em torno do mastro, o "trança-fitas".

Estação: Portal do Paraíso.
Um momento: siga um conselho e tome fôlego antes de prosseguir. Pronto! Lá vamos nós! Há "tanta vida, tanta história, que não foge da memória a fonte de tanta beleza. É a terra, é a gente, é tudo aquilo que Deus criou e que se chama natureza".

Mareja-nos o olhar ao avistarmos um místico mosaico geometrizante: ferruginosas franjas das bordas dos desfiladeiros, misteriosas cavernas e inscrições rupestres reveladas em sítios arqueológicos, cachoeiras de águas cristalinas e até mesmo um casal de araras vermelhas sobrevoando o céu, fazem da Chapada dos Guimarães um louvor à obra do Criador.

Adiante, uma revoada de tuiuiús - ave símbolo do Mato Grosso - nos conduz a um passeio pela fascinante biodiversidade e à extraordinária vida selvagem do Pantanal. Se alguém ainda acha pouco para justificar a alcunha de "Um paraíso no centro da América" a Cidade Verde ainda se dá ao luxo de ser o Portal da Amazônia! É neste cenário paradisíaco, de odores edênicos, que a Mangueira canta e se encanta:

Glória aos teus tesouros,
Ao teu cintilante céu azul!
Bendita sejas, terra amada.
Cuiabá, tu que és do meu Brasil a pérola engastada
Em pleno coração da América do Sul.

Estação: Mandem lembranças ao Futuro!
Chegamos a nossa última parada e imediatamente uma negra esguia e defensora de nobres ideais ergue a voz e diz: Olhem pra frente e além dos muros, Cuiabá é uma cidade a caminho do futuro! É a "Maria Taquara".

"O conto que a gente canta é a história que o povo faz". Cuiabá reinventa-se como recanto laborioso de seu povo, o mesmo povo de espírito comunitário, que ficou isolado durante anos das principais capitais do país e tornou-se adulto, podendo ser criança. Da lembrança dos "quintais com mangueiras", de tomar guaraná ralado à beira de um córrego à sombra de um acopari, de soltar "pandorga6", "finca-finca", "busca-pé" e "trique-trique" com a boca suja de pixé7, erguem-se, nessa terra de sol escaldante, indestrutíveis riquezas, tecnologias inquestionáveis à frente de sua crescente economia.

Cuiabá é a "cidade das oportunidades" que se desenvolve combinando tradições com progresso. Desta terra emana uma energia contagiante... Feita, sobretudo, da confiança no futuro e do calor humano bordado na alma de sua gente. Todos juntos por Cuiabá: evidenciam a sua crença e preservam a esperança de continuidade de uma cidade que continuará evoluindo e atendendo às necessidades de todos os que vivem nela.

Unida e de braços dados com a Mangueira, se orgulha e se prepara para receber o maior evento esportivo do planeta: a Copa do Mundo de 2014. Multiforme e heterogênea, nos deixa o legado de que o futuro é aqui. Suplantada por "alegorias-indústrias" descobre a fórmula mágica para sua industrialização: a sustentabilidade! Não à poluição, compromisso desta nação.

O final da nossa jornada sempre será o início para os que têm sensibilidade.

Carnavalesco: Cid Carvalho

Pesquisa: Marcos Roza

Bibliografia Consultada:
BORGES. Fernando Tadeu de Miranda. Esperando o Trem - sonhos e esperanças de Cuiabá, Ed. Scor Tecci; 2005.
FREIRE. Silva. Manifesto Mosaico Cuiabano, 1977.
FREITAS. Márcia Auxiliadora de. Cuiabá: imagens da cidade, dos primeiros registros
à década de 1960, Entrelinhas; 2011.
GUIMARÃES. Lauristela. Organização. Cuiabá: Cidade em Evolução, Ed. Primeira
Página; 2011.
MARTINS. Moisés. Cuiabá de Vila a Metrópole Nascente, Caderno 1; 2006.
ROBERTO. Loureiro. Cultura mato-grossense: Festas de Santos e outras tradições,
Ed. Entrelinhas; 2006.
SCALFF. Ivens Cuiabano. Kyvaverá, Ed. Entrelinhas; 2011.
SILVA. Paulo Pitaluga Costa e. Cuyaverá, Cuiabá: a lontra brilhante, Ed. Carlini e
Carniato; 2007.

Agradecimentos:
Francisco Belo Galindo Filho (Prefeito de Cuiabá), Sílvio Fidelis (Secretário de Governo), Carlos Britto (Secretário de Comunicação), Luiz Poção (Secretário de Cultura), Tânia Aparecida Barteli (Secretária de Turismo), Carlos Haddad (Secretário Adjunto de Turismo), Fernando Biral (Procurador Geral), Regina Kaizer (Secretária de Assistência Social e Desenvolvimento Humano), Caique Loureiro, Hugo Monteiro, Dona Domingas, Larissa Silva Freire, Cleyton Normand da Fonseca (UFMT), Márcio Bororo, Maria Teresa Carrión Carracedo, Elizabeth Madureira Siqueira (IHGB), Professor Leonam Lauro e a todos os cuiabanos e mato-grossenses que contribuíram com ideias, dicas e apoio para esta iniciativa.

 
Ano do enredo: 2012
Título do enredo: Vou Festejar! Sou Cacique, Sou Mangueira
Descrição do enredo:

Tudo começou na África, num tempo em que eu era ainda moço e minha tribo estava a mercê do perigo e os sacerdotes cuidavam de expulsar com reza forte as vibrações de má sorte que rondavam nossa morada.

Lembro-me que os mensageiros da morte vieram de longe, do outro lado das águas, talvez, não tivessem sequer no corpo o bronze da nossa pele, não tinham os lábios carnudos, eram estranhos em tudo! E até mesmo esses detalhes que constroem a nossa face, neles eram diferentes. Juro que inocente, pensei até em disfarce.

Conduzido pela dor, fui levado prisioneiro ao traiçoeiro Negreiro, o reino da apatia. Lá, sujeito às doenças e a fome que habitavam aquele porão sombrio, caí no mais denso e frio estado de melancolia.

E era como um açoite, a escuridão da noite, toda vez que ela chegava. E eu sofria pesadelos, acordava assustado. Ainda na inocência, confundia a luz da vidência com as trevas dos maus presságios.

Ao desembarcar, os pés feridos, descalços, vi quando o sal do oceano espalhou-se sobre o chão molhado desenhando uma linda concha do mar e, ouvi a voz de Iemanjá me falar: este "Mundo" é o teu "Novo" lar! Prepara-te, o teu futuro te reserva coisas lindas, surpresas te virão ainda.

Já em terra firme, nos primeiros anos depois que saí da minha terra, suportei a mão pesada da escravidão e as feridas da solidão.

Certa vez, escondido pelo breu da noite, resolvi caminhar na mata. Eu já andara bastante. Com a respiração ofegante, parei pra descansar um instante.

E o sono foi me apagando, a cabeça meio tonta, eu já nem me dava conta do perigo de dormir longe da senzala, do povo da minha tribo, sem a proteção de um abrigo.

E ali sonhei meu destino. No sonho um guerreiro caçador, o cacique dos índios, passeava naquelas terras e me viu sentado sob uma tamarineira que ele havia plantado no seu tempo de menino.

Sentou-se ali, ao meu lado, desenhou com seu arco, no chão, uma pequena flecha e, com amabilidade, perguntou a minha idade, quis saber em que cidade eu havia nascido.

E eu, me sentindo à vontade lhe falei dos deuses iorubás, da minha terra natal, do cordão umbilical, do rio da minha aldeia.

E ele, com calma, me falou do poder das folhas e das raízes que transformam em cicatrizes ferimentos e mordeduras de aranhas e de serpentes; dos banhos quentes de algumas ervas e sementes, que curam até os doentes de alma.

Ao voltar pra senzala era como se meu coração tivesse fala. O Rio de Janeiro era o meu novo terreiro e nas batucadas, nas festas, na alegria das ruas, nas brincadeiras do povão, encontrei meu destino e enganei a solidão.

Quando o Entrudo chegava uma maravilha de ruídos invadia as ruas, um barulho encantador que contrastava com a sujeira reinante. Divertidas batalhas com limão de cera, água e farinha branca atiradas sobre os participantes aconteciam a todo instante.

Zé-pereira, bumbos, rostos e bumbuns de negros azucrinando nas praças e no passeio público, zombando, se divertindo, enquanto a viola chorava e espinoteava espantando a tristeza. E tudo era instrumento, flauta, violões, pandeiros, latas, gaitas, frigideiras de ferro, caixotes e trombetas. Instrumentos sem nome, inventados subitamente no delírio da improvisação, do ímpeto musical, na força do sentimento.

Já que batucar na cozinha Sinhá não deixava, o nosso canto ecoava nas senzalas e invadia as ruas. Aliás, na rua do Ouvidor, na rua Direita ou no Largo de São Francisco tudo era canto e os sons sacudiam e movimentavam as vestimentas de cores vivas, ardentes, dançando e tateando os corpos que exalavam o doce perfume da alegria.

A elite fazia biquinho e implicava, chamava nossa festa de selvagem e brutal e que o verdadeiro carnaval estava nos salões da nobreza de Paris e Veneza.

Discriminada e com as autoridades policiais no encalço, a turma dos descalços e descamisados tratou de arrumar um jeitinho para continuar festejando.

Com um olho no padre e outro na missa lutamos dançando, dançamos rezando e rezamos cantando. As festas, celebrações e procissões dos brancos, agora, serviam como máscaras e disfarces. Por trás delas festejávamos nossas entidades sagradas e batucávamos até o sol raiar.

Organizados em Cordões carnavalescos, cantadores e dançarinos, palhaços, a morte, os diabos, os reis, as rainhas, as baianas, os morcegos e os índios também entraram na dança e colocaram a polícia pra dançar.

No noturno da Praça Onze, ali mesmo na nossa "Pequena África", os desfiles do Pastoril e dos Maracatus em louvor à Ciata D'Oxum, a tia-mãe-baiana dos festejos, se tornaram a sensação e os luxuosos Ranchos cantadores, dominados pelos negros e castanhos, rompiam a massa colorida em grande animação. Para matar a sede dos cantadores e dos berradores, os refrescos de coco, os gelados de abacaxi e limão. Para a fome, bolos de fubá, pé-de-moleque, alcaçuz, tapioca, manauê e feijoada no caldeirão.

Mascarada, a elite branca se esbaldava no luxo dos salões, nos desfiles dos corsos e das grandes Sociedades. O povo negro e pobre, barrado no baile burguês, continuou dono das ruas e vielas como legítimos senhores da folia.

Música, fanfarra, préstito, maxixe e, finalmente, de semba se fez samba. Abençoadas por Nossa Senhora do Rosário, na Festa da Penha, as negras suspendiam as saias rodadas e dançavam, nos requebros das ancas, no arranco das umbigadas. Enquanto os senhores rezavam na parte alta das escadarias, na parte de baixo, a sensualidade era religiosa, o ritmo dos batuques era sacerdotal e feiticeiro. Ali desaguavam os cantos e as melodias de todo o povo brasileiro e os compositores da primeiríssima geração de sambistas, testavam a popularidade do seu cancioneiro.

O tempo passou. A cidade se transformou em uma selva de pedra onde a "Onça" reinava absoluta e era a principal atração. "Vejam todos presentes, olha a empolgação, este é o Bafo da Onça que eu trago guardado no meu coração". Até que um dia, um "Cacique" bamba entrou na folia e dividiu a tribo do samba sem vacilação. "Foi lá no fundo do seu quintal que o samba pegou moral e agitou a massa, e o povo voltou a cantar e sorrir, caciqueando aqui e ali, abrindo o coração pro amor".

De repente as ruas esvaziaram-se! Será que a "Onça" vacilou, foi beber água de cheiro e se afogou?! Até mesmo o bravo "Cacique" parecia cansado das batalhas de confetes e desanimou! Para onde teria ido a alegria? Onde estaria a espontaneidade que transformava cem pessoas saídas de um bairro em quinhentas, em mil, sem ninguém se conhecer?

Mas o samba é eterno, não tenho medo de responder! Ele até pode agonizar, mas jamais irá morrer! A "Onça" marcou bobeira e não mais saiu da toca, mas o "Cacique", malandro, mudou de oca, foi fazer morada à sombra de uma tamarineira e ali no subúrbio da Leopoldina, abençoado por Oxossi, o pagode ecoou vindo do "Fundo do Quintal" e embalado por banjos, repiques, tantãs e pandeiros conquistou o Brasil inteiro.

"Batam palmas, gritem, soltem a voz. Pra manter o pique só depende de nós"!

O carnaval, a partir daí, não terminava mais na quarta-feira de cinzas. Quase sem querer, ele se fragmentou em diversas festas nos lares das famílias simples, em animadas rodas de samba, em batuques sobre mesas de bares, confirmando que a tribo do samba ainda queria apito, sem necessariamente o pau ter que comer!

Isso tudo já faz muito tempo. Hoje eu chego com o vento e volto aos pés da velha tamarineira, sento-me novamente ao lado do guerreiro e de Oxossi em saudação ao meio século de história do Cacique de Ramos. Nós somos as raízes e o Cacique é o tronco desta árvore que deu frutos como Jorge Aragão, Almir Guineto, Arlindo Cruz, Dicró, Mauro Diniz, Zeca Pagodinho, Luis Carlos da Vila e Neguinho da Beija-Flor, entre outros nomes, além da dindinha Beth Carvalho um bendito fruto feminino entre tantos homens.

Salve a tribo dos bambas; esse "Doce Refúgio" de pagodeiros e malandros no bom sentido da palavra.

A tribo que bate tambor e faz ecoar o surdo de primeira pra saudar a sagrada tamarineira e confirmar que o bom samba também mora em Mangueira.

Afinal, "onde eu cheguei, nem um mortal chegou, modesta parte nessa arte, Deus me consagrou e o meu canto ecoou por todo universo, até em Marte o meu samba fez sucesso!"

Por tudo isso vou festejar, pois sou Cacique, sou Mangueira!

Bibliografia:

1) Cacique de Ramos – Uma História que deu Samba.
Autor: Carlos Alberto Messeder Pereira.
2) Blocos.
Autor: João Pimentel.
3) Almanaque do Carnaval.
Autor: André Diniz
4) Ogundana – O Alabê de Jerusalém.
Autor: Altay Veloso.

 
Ano do enredo: 2011
Título do enredo: 'O filho fiel, sempre Mangueira'
Descrição do enredo:

A Mangueira me chama, eu vou
Sempre fui o seu defensor
Sou um filho fiel
Á Mangueira eu tenho amor
Foi a Mangueira quem me deu apoio e fama
Até hoje ela me ama
Agora vieram me dizer
Que a Mangueira me quer ver quer me ver
(A Mangueira me chama)

A Estação Primeira de Mangueira pede passagem para afirmar, em plena Marquês de Sapucaí, que um dos maiores baluartes da sua história, Nelson Antônio da Silva, o nosso Nelson Cavaquinho, que completaria 100 anos de nascimento em 2011, está vivo e comparece a Marquês de Sapucaí, com o seu talento e a sua poesia, para dizer que o Rio de Janeiro é esta festa de criatividade porque tem filhos como ele.

E pede passagem também para contar o belo caso de amor envolvendo o poeta e a nossa comunidade. Um caso de amor que começou na década de 1930, quando Nelson Cavaquinho, carioca nascido nas proximidades da Praça da Bandeira, apareceu no Morro de Mangueira na condição de soldado da Polícia Militar, atividade que exercia por influência do pai, Brás Antônio da Silva, tocador de tuba e contramestre da banda de música da PM.

Mas, desde menino, Nelson tocava cavaquinho - e passou logo a ser conhecido como Nelson Cavaquinho - e fazia sambas e choros, razão pelo qual aproximou-se imediatamente de Cartola (seu amigo e ídolo), Carlos Cachaça, Zé Com Fome, Alfredo Português e Zé da Zilda. Quis o destino que ele, montado em seu cavalo, tomasse o rumo da Mangueira. "Buraco quente", "Pendura saia",  "Olaria" e "Chalé" passaram a ser uma espécie de extensão da casa
dele, um quintal do poeta.

Quem havia sido designado a cuidar da ordem estava envolvido na boemia e atraído pelo charme e calor de um morro que se consagrava como o mais rico canteiro de cultura popular da nossa cidade. Foi nessa época que Nelson trocou o cavaquinho pelo violão, um instrumento, por sinal, que tocava num estilo absolutamente original, com a utilização apenas do polegar e do indicador da mão direita. A troca de instrumento, porém, não alterou o pseudônimo que o consagrou, pois permanece Nelson Cavaquinho até agora, quando comemoramos um século do seu nascimento.

A boemia fez dele um personagem de grande destaque nas noites do Rio de Janeiro e também pela convivência com a fina-flor do samba mangueirense. Ele sempre impressionou os apreciadores da música popular brasileira pela capacidade de compor letras e músicas tão sofisticadas que chega a ser inacreditável que aquele homem tão simples fosse capaz de criar obras tão sofisticadas, trabalhando sozinho ou com o seu excelente parceiro Guilherme de Brito…

Nelson Cavaquinho e Cartola viveram uma experiência de grande importância na história do samba do Rio de Janeiro, quando ambos, ao lado de Zé Kéti, eram as atrações principais do Zicartola - a primeira casa de samba do Brasil e responsável pela projeção de novos valores da nossa música - Paulinho da Viola, por exemplo - e pelo retorno de sambistas que raramente se apresentavam em público, como Ismael Silva. Foi ouvindo os sambas cantados no Zicartola que Nara Leão, até então considerada a musa da Bossa Nova, decidiu gravar o seu primeiro disco com as obras daqueles compositores.

A partir do Zicartola, o Rio de Janeiro foi contemplado com a moda das rodas de sambas, com destaque para as Noitadas de Samba do Teatro Opinião. Todas as segundas-feiras apresentavam Nelson Cavaquinho como atração principal. Numa dessas noitadas conheceu a cantora Beth Carvalho.

Beth era uma menina da Zona Sul, que ia todas as segundas no teatro Opinião ver Nelson cantar. O poeta ficara muito impressionado, pois a menina sabia tudo do seu repertório… De admiradora e fã, virou sua principal intérprete e querida amiga. Assumiu, imediatamente, a condição de sua principal intérprete, incluindo um samba dele em cada disco que gravava, até que gravou um CD totalmente tomado por obras do extraordinário compositor. "Folhas secas", por exemplo, foi uma espécie de presente da dupla Nelson Cavaquinho/Guilherme de Brito para Beth Carvalho.

A Estação Primeira pretende apresentar um retrato de Nelson Cavaquinho, chamado algumas vezes de "o trovador dos aflitos". Mulheres, botequins, dor de cotovelo e até a morte são temas predominantes nos seus sambas. Certa vez, não permitiu que o relógio da sua casa passasse das duas horas da madrugada, porque sonhara que morreria naquela noite, às três horas da manhã. Nelson sempre conviveu com a fatalidade e, por isso, sua poesia é marcada pela melancolia.

Compunha com intensa paixão para os solitários dos bares, para as mulheres sem alma, para os errantes e plebeus da noite.

Apresentamos também o boêmio de um profissionalismo um tanto ou quanto estranho, pois era capaz de pagar com músicas as compras de comestíveis para sua casa. Portanto, saibam todos que alguns dos parceiros desconhecidos, cujos nomes aparecem em suas músicas, são, na verdade, pequenos comerciantes ou feirantes e fornecedores de gêneros alimentícios para sua família. Quando estava sem dinheiro, ia até a Praça Tiradentes e vendia o produto que melhor sabia fazer, seus sambas.

César Brasil, um de seus "parceiros", era gerente de um velho hotel, no Centro do Rio de Janeiro, e incapaz de compor um verso ou de tocar uma nota, em qualquer instrumento, mas entrou para a história como um dos autores de um dos mais belos samba do gênio: "Degraus da vida". Foi na Praça Tiradentes, também, que conheceu Lygia. Uma mulher sem teto e que se tornara sua companheira de copo. Nelson a considerava tanto que tatuou seu nome no braço. Muitos o criticaram por isso, então, compôs: "Muita gente tem o corpo tão bonito e a alma toda tatuada" (Tatuagem).

Enfim, apresentamos Nelson Cavaquinho ao grand complet, chamando atenção, naturalmente, para o grande caso de amor entre ele e a Mangueira, um caso que o grande compositor fazia questão de tornar público. Agora, o morro que ele tanto subiu é que desce para exaltar sua vida e sua obra. E cada componente da nossa escola vai viver intensamente a sua vida, beber da sua obra e louvar a sua alma boêmia. Seremos uma só voz! Empunhando uma só bandeira! Estação Primeira de Mangueira, com muita emoção e garra, anuncia por quem dobram os surdos de primeira.

Na manhã do dia 18 de fevereiro de 1986, aos 75 anos, morreu o homem, mas o poeta vive! Então vem, Nelson! Vem receber as "flores em vida"! Você, que sempre fora um Filho Fiel, a Mangueira o chama mais uma vez! E agora é para sempre, por que de hoje em diante, nunca mais você será chamado de saudade.

…Mas depois que o tempo passar, sei que ninguém
vai se lembrar que eu fui embora
(Quando eu me chamar saudade)

Quando eu piso em folhas secas
Caídas de uma mangueira
Penso na minha escola…
(Folhas secas)

Em Mangueira
Quando morre um poeta todos choram
Vivo tranqüilo em Mangueira porque sei
Que alguém há de chorar quando eu morrer
(Pranto de um poeta)

Finjo-me alegre, pro meu pranto ninguém ver
Feliz àquele que sabe sofrer
(Rugas)

Sei que a maior herança que tenho na vida, é meu
coração, amigo dos aflitos
Sei que não perco nada em pensar assim
Porque amanhã não sei o que será de mim
(Caridade)

Mas o sambista vive eternamente no coração da
gente
Os versos de Mangueira são modestos
Mas há sempre força de expressão…
Ô, foi Mangueira que chegou
(Sempre Mangueira)

Tire seu sorriso do caminho que eu quero passar
com a minha dor… Hoje pra você eu sou espinho…
Espinho não machuca a flor
(A Flor e o Espinho)

Vingança, meu amigo eu não quero vingança. Os
meus cabelos brancos me obrigam a perdoar uma
criança
(Notícia)

Do mal será queimada a semente…
O amor será eterno novamente
(Juízo Final)

Sei que estou no último degrau da vida, meu amor
Já estou envelhecido, acabado
Por isso muito eu tenho chorado
(Degraus da vida)

Fui tão bom pra ela, dei meu nome a ela
Tudo no princípio eram flores
Sem saber que eu era demais, entre seus amores.
(Mulher sem alma)

Graças a Deus minha vida mudou! Quem me viu,
quem me vê a tristeza acabou
(Minha Festa)

Nesse mundo de Deus tudo pode acontecer
Porque que eu não posso
Te esquecer?
(Aceito teu adeus)

E quando vejo a torre bem alta,
Daquela linda catedral,
Fujo de tua amizade, infernal.
(Devia ser condenada)

Levantei-me da cama, sem poder
Até hoje ninguém veio me ver
Fui amigo enquanto eu tive dinheiro
Hoje eu não tenho companheiro
(Dona Carola)

A luz negra de um destino cruel
Ilumina um teatro sem cor
Onde estou representando um papel
De palhaço do amor....
(Luz Negra)

Você tendo vida, saúde e dinheiro
Todos lhe querem muito bem
Mas se você fracassar
Pode Ter a certeza
Que ninguém vai lhe procurar
(Nem todos são amigos)

Vamos pra bem longe da maldade
Deus que nos guie
Em direção à bondade
(Tenha paciência)

Vou partir não sei si voltarei...
tu não me queiras mal
hoje é carnaval
(Vou partir)

Vou sair daqui
Seu caso cheira à vela
Quem está te olhando é o marido dela
(Cheira à vela)

Quando eu passo perto das flores
Quase elas dizem assim:
Vai que amanhã enfeitaremos o seu fim
(Eu e as flores)

Meu coração é terra que ninguém passeia
Tu és igual a quem traiu Jesus na Ceia
Sou companheiro
Não mereço ser trocado por dinheiro
(Minha honestidade vale ouro)

Deus, Nosso Senhor, devia castigar
O infeliz que faz uma mulher chora
(Nome sagrado)

Sei que choras palhaço
Por alguém que não lhe ama
Faça a platéia gargalhar
Um palhaço não deve chorar
(Palhaço)

Meu reinado é cheio de ilusão
E ninguém de mim tem compaixão
(Rei vagabundo)

Noites eu varei
Mas cada amor me fez um rei
Um rei vadio…
(Rei vadio)

Passei a mocidade esperando dar-te um beijo
Eu sei que agora é tarde, mas matei o meu desejo
É pena que os lábios gelados como os teus
Não sinta o calor que eu conservei nos lábios meus
(Depois da vida)

Hoje não é dia 1º de abril
Com essa cara, outra vez, você mentiu
Por favor, não faça isso, mais
Se outra vez você mentir eu sei do que serei capaz
(1º de abril)

Já vem a saudade outra vez me visitar
Que visita triste, só me faz chorar
Para ninguém ver o meu pranto
Boa noite para todos! Eu vou me retirar
(Visita triste)

O texto foi desenvolvido pela Comissão de Carnaval da escola e teve a colaboração de Sergio Cabral e Beth Carvalho.

 
Ano do enredo: 2010
Título do enredo: 'Mangueira é música do Brasil'
Descrição do enredo:

"Mangueira é música do Brasil"
Carnavalescos: Jayme Cesário e Jorge Caribé.

A música brasileira é nosso reflexo no espelho, nossa identidade, nossa cara!

Rica, genuína, forte e feliz nos projeta no mundo de forma afirmativa já que a combinação original entre melodia e ritmo é a nossa marca. Motivo de orgulho para todos nós.

A Estação Primeira de Mangueira mergulha de cabeça nesse caldeirão cultural, pois, por tradição, a música brasileira sempre esteve presente em nossos carnavais. Daqui ela se irradia por intermédio de nossos compositores consagrados, luz para muitas canções que se aninharam nos corações de muitos, o que faz da Mangueira, também, referência da música que se faz no Brasil.

A Mangueira sempre soube acolher as mais diversas manifestações da música brasileira. Por aqui transitaram e ainda transitam artistas das mais diferentes vertentes e diferentes tribos.

E a recíproca é verdadeira porque muitos deles também souberam enaltecê-la em canções de exaltação engrandecendo ainda mais a nossa história.

Nessa troca musical, outros foram pela Mangueira homenageados com sambas-enredos, imortalizados em desfiles inesquecíveis, como: Braguinha, Dorival Caymmi e Chico Buarque.

A Mangueira é sim, Música do Brasil!

Nossa pauta musical será composta por diversos gêneros musicais que expressam nossa vocação pela mistura, pela criatividade e pela renovação, tornando sempre vivas as vozes que se multiplicam por todos os cantos do país.

A Música Brasileira hoje está em todas as emissoras de rádio e quem não a colocar na programação perde, de fato, audiência.

A influência estrangeira sempre esteve presente em nossa música, porém reprocessada e misturada com originalidade, resultando em canções maravilhosas, que o mundo aprendeu a apreciar e admirar por sua alta qualidade.

O Brasil ganhava contorno de unidade nacional através das emissoras de rádio, irradiava música para todo o país.

Através das ondas médias, a nossa música "estourou no norte" com baiões, sambas, marchinhas, boleros e toadas que se abrigavam no imaginário popular e davam vazão aos sentimentos. Nuances que nossa música continua a exprimir.

A música se desloca para a praia, com acordes dissonantes e influências jazzísticas e de um jeito mais intimista surge então a bossa nova. Um jeito diferente de cantar o samba, garantindo a mudança que a música procurava e levando seu alcance para além das fronteiras do Brasil.

Nossa música ganha o mundo!

A Mangueira segue sua viagem no tempo e cruza com a Jovem Guarda. De estilo mais romântico, mais ingênuo, revelava um país que abruptamente mudava. Nessa mesma época surgia o Tropicalismo passando o Brasil a limpo e assumindo as nossas diferentes nuances de ser: nuances de erudita, brega, sofisticada com muita criatividade, sendo a alegria a prova dos nove na Geléia Geral Brasileira.

Somos pais genuínos da improvisação, da beleza pura!

E mesmo sob os sombrios anos de ditadura, nossa música soube driblar os rigores da censura de forma criativa, afirmando cada vez mais seu papel de porta-voz da liberdade democrática. Os festivais de música revelam novos talentos e multiplicam-se os gêneros de norte a sul, fundindo-se e aumentando nosso espectro musical com outras mensagens, outros códigos. Nossos ouvidos se abrem para outras paisagens musicais e a música brasileira ganha definitivamente uma nova sigla: MPB.
Brasil mostra sua cara!

E a cada década vai se reciclando ao som das guitarras, das baladas, relendo o rock, agora tomado como nosso: exagerado, romântico, ingênuo e divertido, assim como o funk, originários dos guetos,também atingem todas as classes sociais.

O samba das Escolas de Samba do Rio de Janeiro é um capítulo à parte nessa história da música do Brasil. O samba traz o mundo para cá. E a Estação Primeira de Mangueira é a expressão máxima desse gênero. Dessa verdadeira Escola de bambas ouvimos canções de Cartola, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento, Padeirinho e Hélio Turco, entre outros?

A voz do Rei da Sapucaí, Jamelão, ainda ecoa em nossos ouvidos? São tantos os artistas que em suas músicas respiram a Mangueira: Alcione, Beth Carvalho, Leci Brandão, Rosemary, Emilio Santiago e tantos outros, que não daria para dissociá-los de sua história e trajetória.

Nesse carnaval o palco é a Passarela do samba e a Mangueira é MÚSICA DO BRASIL!

É Show...

Ano: 2017
Título do samba enredo: Só com a ajuda do Santo
Compositores do samba enredo: Lequinho, Júnior Fionda, Flavinho Horta, Gabriel Martins e Igor Leal
Letra:

Mangueira… eu já benzi minha bandeira
Bati três vezes na madeira
Para a vitória alcançar
No peito patuá, arruda e guiné
Para provar que o meu povo nunca perde a fé
A vela acesa pro caminho iluminar
Um desejo no altar, ou no gongá
Vou festejar com a divina proteção
Num céu de estrelas enfeitado de balão
É verde e rosa o tom da minha devoção
Já virou religião

O manto a proteger, mãezinha a me guiar
Valei-me meu Padim onde quer que eu vá
Levo oferendas à rainha do  mar
Inaê, Marabô, Janaína

Abriram-se as portas do céu, choveu no roçado
Num laço de fita a menina pediu comunhão
Bala, cocada e guaraná pro erê
Meu padroeiro irá sempre interceder
Clareia… tenho um guerreiro a me defender
Firmo o ponto pro meu orixá (no terreiro)
Pelas matas eu vou me cercar (mandingueiro)
Mel, marafo e abô…
Só com a ajuda do santo eu vou (confirmar meu valor)
O morro em oração, clamando em uma só voz
Sou a Primeira Estação, rogai por nós!

O meu tambor tem axé Mangueira
Sou filho de fé do povo de Aruanda
Nascido e criado pra vencer demanda
Batizado no altar do samba

 
Ano: 2016
Título do samba enredo: Maria Bethânia, a menina dos olhos de Oyá
Compositores do samba enredo: Alemão do Cavaco, Almyr, Cadu, Lacyr D Mangueira, Paulinho Bandolim e Renan Brandão
Letra:

Raiou... Senhora mãe da tempestade
A sua força me invade, o vento sopra e anuncia
Oyá... Entrego a ti a minha fé
O abebé reluz axé
Fiz um pedido pro Bonfim abençoar
Oxalá, Xeu Êpa Babá!
Oh, Minha Santa, me proteja, me alumia
Trago no peito o Rosário de Maria
Sinto o perfume... Mel, pitanga e dendê
No embalo do xirê, começou a cantoria

Vou no toque do tambor... ô ô
Deixo o samba me levar... Saravá!
É no dengo da baiana, meu sinhô
Que a Mangueira vai passar

Voa, carcará! Leva meu dom ao Teatro Opinião
Faz da minha voz um retrato desse chão
Sonhei que nessa noite de magia
Em cena, encarno toda poesia
Sou abelha rainha, fera ferida, bordadeira da canção

De pé descalço, puxo o verso e abro a roda
Firmo na palma, no pandeiro e na viola
Sou trapezista num céu de lona verde e rosa
Que hoje brinca de viver a emoção Explode coração

Quem me chamou... Mangueira
Chegou a hora, não dá mais pra segurar
Quem me chamou... Chamou pra sambar
Não mexe comigo, eu sou a menina de Oyá
Não mexe comigo, eu sou a menina de Oyá

 
Ano: 2015
Título do samba enredo: "Agora chegou a vez vou cantar: mulher de Mangueira, Mulher Brasileira em primeiro lugar"
Compositores do samba enredo: Renan Brandão, Cadu, Alemão do Cavaco, Paulinho Bandolim, Deivid Domênico e Almyr
Letra:


Oh, divina dama!
Em cada alvorada te agradeço
As maravilhas do meu tempo de criança
E o orgulho que eu sinto deste chão
Cercado pelo verde da esperança
Vovó guiava minha imaginação
Descendo o morro entre becos e vielas
Vejo a primavera desabrochar
Um mar de rosas perfumando a passarela
Deixa a Mangueira passar
 

Ora yê yê... Vem, menininha!
Entra na roda, quero ver você girar
Ê ê girar... Baiana gira
A mãe do samba dança pro seu orixá
 

É tão bom ouvir as pastorinhas
Ao som de doces melodias
E as estrelas da nossa canção
Linda... Na beleza tem poesia
A rainha veste a magia
Das flores em nossa estação
Brilha a porta-estandarte
Revelando toda arte
Num bailar que não tem fim
Desperta, amor!
Pra ver a Neuma na avenida
O povo aplaude dona Zica
Sagrado verde e rosa nessa história
Glória a essas divas tão guerreiras
A nossa Maria não é brincadeira
É raça, é fibra, é Jequitibá!
 

Eu vou cantar a vida inteira
Pra sempre Mangueira, tem que respeitar!
Eu vou cantar a vida inteira
Mulher brasileira em primeiro lugar

 
Ano: 2014
Título do samba enredo: “A festança brasileira cai no samba da Mangueira”
Compositores do samba enredo: Lequinho, Júnior Fionda, Paulinho Carvalho e Igor Leal
Letra:


Vem ouvir a voz do povo a cantar
Ao longe todo mundo me conhece
O meu samba é uma prece
Desço o morro pra mostrar
A festa mangueira, começou
Conta a história que Cabral
Chegou de Portugal e o índio então dançou
De norte a sul a alegria se espalhava
Vila Rica se enfeitava, pro congado coroar
Ôôô... Lá em São Salvador
Vou lavar a escadaria na fé do nosso Senhor
Faço um pedido a rainha iemanjá
Ilumine a passarela pra minha escola passar

Pegue seu par, dançe quadrilha
Simbora pro meu sertão
Vem pular fogueira viva São João!!!
Com sanfona e zabumba
Tem forró a noite inteira
No arraiá da Estação Primeira

Sou brasileiro, vou festejar
Meu palco é a rua e a luz o luar
No coração da floresta magia que encanta
"Garanto" que vai "caprichar"
Chegando a terra da garoa um arco íris despertou
Orgulho, respeito, igualdade
Tremula a bandeira da diversidade
Um novo tempo nascerá, explode em cores pelo ar
É carnaval estou aqui de novo lá vem meu povo a desfilar
Na "super campeã" da maior festa da cultura popular


Oba, oba, eu quero ver quem vai
Cair na folia sambar com a Mangueira
É bom se segurar, levanta poeira
É verde e rosa a festança brasileira

 
Ano: 2013
Título do samba enredo: "Cuiabá: Um Paraíso no Centro da América!"
Compositores do samba enredo: Lequinho, Jr. Fionda, Igor Leal e Paulinho Carvalho
Letra:


Dai-me inspiração, oh Pai!
Pois em meus versos quero declamar
A capital da natureza, eternizar
Embarque na Estaçäo Primeira
O mestre a nos guiar
Bambas imortais, o Eldorado dos antigos carnavais
Num relicário de beleza sem igual
Fonte de riqueza natural
Cidade formosa... Verde... Rosa
Teu nome reluz, Vila Real do Bom Jesus

O apito a tocar preste atenção!
Mistérios e Iendas de assombração
Segui com coragem, mostrei meu valor
É a Mangueira a todo vapor

Em cada lugar, um "causo" que o povo contou
Em cada olhar, na arte num poema brilhou
Um doce sabor, tempero pro meu paladar
Procure seu par, a festança já vai começar
Na bênção de São Benedito eu vou
Dançar com o meu amor, o sonho enfím chegou
Ao paraíso, emoldurado em cintilante céu azul
Bendita sejas terra amada!
O coração da América do Sul
É hora de darmos as mãos
Agora seguir a missão
Sustentar na mesma direção

Mangueira... O trem da emoção
Viaja na imaginação
Meu samba é madeira, é jequitibá
É poesia dedicada a Cuiabá

 
Ano: 2012
Título do samba enredo: Vou Festejar! Sou Cacique, Sou Mangueira
Compositores do samba enredo: Igor Leal, Lequinho, Junior Fionda e Paulinho Carvalho
Letra:


Salve... A tribo dos bambas
Onde um simples verso se torna canção
Salve... o novo Palácio do Samba
O “Doce refúgio” pra inspiração
Debaixo da tamarineira
Oxossi guerreiro me fez recordar
Um lugar... O meu berço, num novo lar
Seguindo com os “pés no chão”“Raiz”, que se tornou religião
Da boêmia dos antigos carnavais
Não esquecerei jamais

Firma o batuque que eu quero sambar... Me leva!
A Surdo Um faz festa
Esqueça a dor da vida, Caciqueando na avenida

“Sim”... Vi o bloco passando
O nobre rezando, e o povo a cantar
“Sim”... Era um nó na garganta
Ver o Bafo da Onça, desfilar
“Chora... Chegou à hora eu não vou ligar”
Minha cultura é arte popular
Nasceu em Fundo de Quintal
Sou Imortal e vou dizer agonizar não é morrer
Mangueira... Fez o meu sonho acontecer (hei, hei, hei...)
“O povo não perde o prazer de cantar”
Por todo universo minha voz ecoou
“Respeite quem pôde chegar”
“Onde a agente chegou”

Vem festejar... Na palma da mão
Eu sou o samba... A voz do morro
Não dá pra conter, tamanha emoção
Cacique e Mangueira num só coração

 
Ano: 2011
Título do samba enredo: 'O filho fiel, sempre Mangueira'
Compositores do samba enredo: Alemão do Cavaco, Cesinha Maluco, Xavier, Ailton Nunes, Rifai, Pe Baianinho
Letra:

Quis o criador me abençoar...
Fazer de mim um menestrel
Traço o meu passo no compasso
Do surdo de primeira...
Sou mangueira!
Trilhei ruas e vielas
Morro de alegria, emoção!
Procurando harmonia, encontrei a poesia...
E me entreguei à boêmia
No buraco quente, olaria e chalé
Com meus parceiros de fé

Trago violão
No zicartola, opinião...
Se te encantei com meu talento
Acabo te vendendo uma canção

Passei... Aquela dor venceu espinhos
“Amor perfeito” em nosso ninho
Que foi desfeito ao luar
Prazer... Me chamam Nelson Cavaquinho
Tatuei em meu caminho
Seletas obras musicais
Sonhei que “Folhas secas” cobriam meu chão
Pra delírio dessa multidão,
Impossível não emocionar
Chorei... Ao voltar para minha raiz
Ao teu lado eu sou mais feliz
Pra sempre vou te amar!

Mangueira é nação e comunidade!
“minha festa”, teu samba, ninguém vai calar!
Sou teu filho fiel, Estação Primeira, por tua bandeira vou sempre lutar!

 
Ano: 2010
Título do samba enredo: 'Mangueira é música do Brasil'
Compositores do samba enredo: Renan Brandão; Machado; Paulinho Bandolim; Rodrigo Carioca
Letra:

Vai passar
Nessa avenida mais um samba popular
Mangueira até parece um céu no chão
É música vestida de emoção
Com notas e acordes refletiu
Em suas cores o orgulho do Brasil
Nas ondas do rádio,
De Norte a Sul viajei
No sonho dourado embarquei
Parece magia!
Vai minha inspiração
Num doce balanço a caminho do mar
Vem me trazer a canção
Pro mundo se encantar

Tantas emoções na verde-e-rosa
Brilham as estrelas imortais
Bate outra vez uma saudade
Lembro dos antigos festivais

Um verso me levou
Do rock à jovem guarda
Fui caminhando e cantando ao luar
Com a tropicália no olhar
Atrás do trio eu quero ver
O baile começar e a noite adormecer
O sol nascerá, as cortinas irão se fechar
Folhas secas virão e o show vai continuar

Meu coração é verde e rosa
Descendo o morro, eu vou
A música, alegria do povo
Chegou, a Mangueira chegou

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