Portela

Grupo: Especial
Fundação: 11 04 1923
Cores: Azul e Branco
Presidente: Luis Carlos Magalhães
Vice presidente: Monarco
Carnavalesco: Paulo Barros
Interprete: Gilsinho
Mestre de bateria: Nilo Sérgio
Diretor de carnaval: Paulo Barros , Fábio Pavão , Moisés Carvalho e Claudinho Portela
Diretor de harmonia: Chopp , Jeronimo Portela, Tavinho Novello, Nilce Fran, Valci Pelé , Leonardo Brandão , Márcio Emerson , Jorge Barbosa , Sérvulo Jorge e Walter Moura
Diretor de barracão: Moisés Carvalho
Mestre sala: Alex Marcelino
Porta bandeira: Danielle Nascimento
Rainha de bateria: Bianca Monteiro
Endereco: Rua Clara Nunes, 81, Madureira - Rio de Janeiro - RJ CEP 21351-110
Telefone: (21) 3217 1604 (quadra) e (21) 2233-4812 (barracão) e 2233-1375 (barracão)
Comissão de Frente: Ghislaine Cavalcante, Marcelo Sandrini e Roberta Nogueira
Telefone: Barracão 03 - Cidade do Samba - Rua Rivadávia Correa, 60 - Gamboa - CEP 20220-290
História

Escola lembra os primeiros tempos heróicos

Criada em 1644, a antiga freguesia de Irajá se estendia por uma vasta região ocupada por fazendas. Esta imensa área, ao longo dos séculos XVIII e XIX, chegou a ter 13 engenhos de açúcar produtivos e importantes economicamente.

Entre eles, talvez o mais próspero, merece destaque o Engenho do Portela, cujos escravos, no labor do dia-a-dia, contribuiriam para engrandecer a região que se estendia da Fazenda do Campinho até o Rio das Pedras, e que mais tarde herdaria o nome do boiadeiro e mercador mais famoso da localidade: Lourenço Madureira.

Em fins do século XIX e início do século XX, a economia da região, amparada principalmente na força do trabalho escravo, entra em uma inevitável crise. Os antigos latifúndios são aos poucos repartidos por pessoas pobres que fugiam das reformas urbanas que ocorriam no centro da capital da jovem República Brasileira. O trem, chegado em 1890, trazia diariamente um grande contingente de pessoas desprovidas de qualquer bem material para os já conhecidos subúrbios.

Especialmente, merece destaque a brava população que, enfrentando todos os tipos de dificuldades, ocupou a região próxima ao Rio das Pedras através da antiga estação de Dona Clara. Mais tarde, a ainda jovem localidade, que herdou o nome do Rio vizinho, receberia o definitivo nome de Oswaldo Cruz em 1904 homenagem do Prefeito Pereira Passo ao grande sanitarista que exterminou a febre amarela no Rio de Janeiro.

Os negros trouxeram sua música, sua dança, sua religião e sua inigualável forma de enfrentar a dor através da arte para a "roça". Foram estes negros, muitos deles vindos de outras partes do Brasil, sobretudo de Minas Gerais e do antigo Estado do Rio, que plantaram a semente da batucada nas festas da região. O cavalo torna-se o principal meio de transporte. Imensos valões dificultavam a passagem dos moradores. Não havia água, luz ou qualquer tipo de conforto já comum nos bairros mais abonados da cidade. O antigo engenho cedeu espaço e nome para a principal via da região: a estrada do Portela.

Os primeiros portelenses foram verdadeiros alquimistas. Magos capazes de transformar dor em arte, e sofrimento em notas musicais. A dificuldade, em suma, foi a matéria-prima das primeiras composições da PORTELA.

Esta integração foi fundamental para a história da Portela, pois possibilitou uma vida social marcada por festas religiosas, batucadas e jongo, manifestação cultural herdada dos antepassados escravos.

- COMO TUDO COMEÇOU ...

Em 1920 existiam em Oswaldo Cruz os bloco carnavalescos "Bainaninha de Oswaldo Cruz" e "Quem fala de nós come mosca", o primeiro formado por adultos, entre eles Galdino Marcelino dos Santos, Antônio Caetano, Antônio Rufino e Candinho (primeiro mestre de canto, hoje intérprete de samba) e Paulo Benjamim de Oliveira , O Paulo da PORTELA (segundo mestre de canto), Claudionor Marcelino, irmão de Gaudino José da Costa, Álvaro Sales, Angelino Vieira, Manoel Barbeiro, Alfredo Pereira da Costa, Carminha, Benedito do Braz (componentes). E o segundo bloco formados por crianças. A festeira dona Esther Maria de Jesus, do "Come Mosca" por ter muita influência na área política da época, conseguiu toda a legalização na polícia (Registro e Permissão de Funcionamento) para o bloco sair.

O "Come Mosca", por ser composto por crianças saia apenas durante o dia. O "Baianinhas", que descia à noite para a Praça Onze, levava emprestada a licença do "Come Mosca". O fato fazia com que muita gente confundisse os blocos.

Em 1923, foi fundado, embaixo de uma mangueira, na casa de seu NAPOLEÂO (pai de NATAL), o bloco carnavalesco "Conjunto Oswaldo Cruz", que é a fusão dos Blocos "Baianinhas" e "Come Mosca", tendo como principais responsáveis: Paulo Benjamim de Oliveira, Antonio Caetano, Antonio Rufino, Natalino José do Nascimento, entre outros, sendo feita a primeira Junta Governativa: Paulo da Portela o Presidente, Antônio Caetano o Secretário e Antônio Rufino o Tesoureiro. Natal, à época, era somente ligado ao futebol, mas como amigo de Paulo, esteve presente na fundação.

- A PORTELA E SÃO SEBASTIÃO

Em 1929, dia 20 de Janeiro (Dia de Oxossi), Heitor do Prazeres, representante do conjunto vence o primeiro concurso entre as Escolas de Samba e, na volta para Oswaldo Cruz, troca o nome do conjunto por "QUEM NÓS FAZ É O CAPRIXO". Inconformado, em 1930, Manuel Bam Bam Bam, assume do controle do grupo e transforma o "Quem nós faz é o caprixo" em "Vai como pode". Apesar de ser citado apenas "Vai como pode", como o bloco antecessor da PORTELA, os pioneiro são os "Baianinhas" e "Come Mosca". Por isso , a data de fundação da escola é 11 de abril de 1923.

O Batismo da PORTELA, foi realizado por dona Esther Maria de Jesus (do Bloco Come Mosca), que consagrou Nossa Senhora da Conceição (Oxum) como madrinha e São Sebastião (Oxóssi) como padrinho. Hoje, Nossa Senhora da Conceição é a padroeira da escola, e São Sebastião é o santo protetor da bateria. Todo diia 20 de janeiro a PORTELA sai às ruas em procissão a São Sebastião. Muitos afirmam que as características peculiares da bateria da PORTELA foram inspiradas nas batidas dos atabaques para Oxossi.

- AS SEDES

A primeira sede da PORTELA foi na casa de PAULO DA PORTELA, na Barra Funda.

A segunda, na Estrada do Portela nº 412, onde mais tarde foi construído o Bar do Nozinho.

A terceira na Estrada do Portela, onde foi construído depois a Portelinha, e a quarta, na Rua Arruda Câmara que passou a se chamar Rua Clara Nunes (famosa portelense) após sua morte, o Portelão.

- NATAL

Natalino José do Nascimento o Natal e a Portela.

A história da PORTELA está intimamente ligada à vida de Natal, já que foi nos fundos da casa de seu pai, Napoleão na esquina da Rua Joaquim Teixeira com a estrada do Portela, que foi fundada a escola.

Foi com a morte de Paulo da Portela que Natal resolveu se dedicar à PORTELA e ajudou a transformá-la na maior de todas as escolas de samba.

Em 1972, Natal começou a construir a atual sede da PORTELA, o PORTELÂO.

Natal foi um sambista rei. Rei do samba, do bairro, da cidade. Natal foi um sambista que nunca fez samba, que nunca desenhou um passo, que nunca cantarolou um refrão sequer.

Às vezes, nos perguntamos de onde surgiu tanto respeito, tanto temor, tanto amor e ódio por um homem comum, que andava sempre com seu paletó de pijamas, de chinelos, um cigarro no canto da boca, um chapéu no alto da cabeça e com apenas um braço?

Natal dizia que se tivesse dois braços seria covardia.

Ano do enredo: 2017
Título do enredo: Foi um rio que passou em minha vida e meu coração se deixou levar
Descrição do enredo:

Resumo

O rio inspira os homens. De suas águas, pescam o sonho e o conhecimento, colhem a história e o encantamento. O rio azul e branco nasce da fonte de onde se originam a vida e as culturas humanas. Prima matéria, a água doce está associada aos mitos de criação do universo das antigas civilizações, é a manifestação do sagrado nas religiões e a maior riqueza para as sociedades modernas. A Águia bebe dessa água cristalina em sua nascente, onde brota o bem mais precioso criado pela natureza. No berço do samba, o pássaro abençoa a passarela, leito do rio da Portela. Segue recolhendo a poesia de muitos outros rios, enquanto mantém o seu rumo. Atravessa a Avenida, lavando a alma de quem deseja ver o rio passar, saciando a sede de vitória, irrigando de alegria o povo que habita a beira do rio. Suas águas purificam o corpo, afogam a tristeza e renovam as forças a cada alvorada. Convida a conhecer seus mistérios, cruzando aldeias e povoados, cidades e países distantes. 

O rio é velho e por ele correm muitas histórias, porque sempre esteve ali a guardar os segredos das águas que deram origem ao mundo. O rio é novo porque está sempre em movimento e nunca passa duas vezes pelo mesmo lugar. O rio não pode voltar. Ele segue em busca do seu destino. Nasce como um fio d’água, calmo e sereno, e continua para receber muitas contribuições em seu curso. Enquanto cresce, irriga e fecunda as margens de onde se colhe o alimento do corpo e da alma. Avança sobre a terra e não se deixa vencer pelas pedras que encontra no caminho. Passa inspirando canções e poemas, linhas e formas sinuosas. Em sua exuberância, desfila entre matas, plantações, casas humildes e mercados, do interior até chegar às grandes metrópoles e receber as imensas construções fincadas em suas margens. O homem e o rio estão ligados pelo corpo e pelo espírito. Os artistas, músicos e cantadores, arquitetos e escritores incorporam a alma do rio e refletem suas imagens. Aqueles que se entregam à devoção e murmuram suas preces, pedidos e promessas fazem procissões e oferendas, agradecidos pelos desejos atendidos. O homem tira a vida do rio. A vida é como um rio que corre em direção ao seu destino.

O DESFILE


ABERTURA

A nascente do rio guarda os segredos da criação do mundo. Surge generosa, na Avenida, encharcando a terra, fecundando o solo, despertando a natureza. Lugar de devoção de onde emana a energia criadora, a fonte dourada reflete as cores do sol, anunciando que vale ouro nosso bem mais precioso. A Águia encantada bebe a água sagrada e abençoa aqueles que respeitam os mistérios da fonte da vida. 

O PASSADO É UM PRESENTE DO RIO

E muitos são os segredos que repousam no leito do velho rio. As antigas civilizações iniciaram seus processos de organização social com o crescimento das vilas, povoados e cidades. Tudo começou com o desenvolvimento das técnicas de agricultura, o que permitiu que as primeiras sementes fossem plantadas e germinassem, fixando a vida e o conhecimento nas terras férteis no entorno dos rios. Muitas eram extremamente avançadas e se organizavam em sociedades que impressionam pela sabedoria que detinham sobre as ciências. Ao mesmo tempo, cultuavam seus deuses e os mitos de criação a eles relacionados. No desfile da Portela, essas divindades representam as poderosas relações entre o homem e a natureza, principalmente com os rios. Definem culturas milenares, pois são ícones representativos desses povos até hoje.

SERES DO RIO 

Que outras histórias nos conta o rio? Dele emergem seres que seduzem por sua beleza, impõem respeito pela força ou por encantamento. O mito da Cobra-Grande, “mãe do mundo”, é um dos mais antigos e está presente em diversas culturas. Se muitos temem a gigantesca Boiuna, a serpente de olhos de fogo, alguns se deixam seduzir pela Iara, a bela sereia que enfeitiça os homens e os arrasta até o fundo do rio, de onde jamais voltarão. Lendários dragões que habitam e controlam as águas também são temidos e venerados. Entretanto, existem seres que não fazem parte do mundo sobrenatural. Os aguapés, delicadas plantas aquáticas que filtram as impurezas, podem se reproduzir velozmente em ambientes muito poluídos, matando os peixes e se transformando em praga. Já na “terra dos mananciais”, a ameaça vive em águas escuras que escondem o enorme crocodilo, réptil nativo de um país que o respeita e admira. 

A VIDA PULSA NA BEIRA DO RIO 

De onde vem o que é mais importante para viver? O que sustenta o dia a dia das populações ribeirinhas espalhadas pelo mundo? O corre-corre da vida daqueles que amanhecem todos os dias nas beiradas em palafitas, no “zum zum zum” das lavadeiras, no vai e vem das embarcações repletas de produtos a suprir os mercados, cruzando as águas que servem a todos, invade o rio da Portela. 

Mudam-se famílias inteiras, levando outros sons e cheiros para onde existia o silêncio das matas e o burburinho do rio. Pintam de novas cores o contorno e avançam em todas as direções em busca de um pedaço de chão. Existem também aqueles que perdem o rumo e o rio. Mas o rio da Portela é doce e carrega as mágoas de quem sofre desengano por ter perdido um grande amor. 

A ALMA DOS RIOS

Formas e cores. Sons e poemas. Se a alma que emana do rio inspira o desenho da catedral que repousa em sua margem, também escreve o romance que dá vida ao personagem que a habita. Ah, a alma dos rios também está na música que valsa nos salões e traduz o sentimento das águas calmas atravessando montanhas e florestas. Baila o rio azul, entre saltos e corredeiras, e a cada curva revela uma nova aventura. Conta a história dos índios que preferem morrer a ter que entregar as terras em que plantaram suas vidas. E o grito de resistência atravessa o tempo: enterrem meu coração na curva do rio. O sentimento de liberdade que flui na alma dos rios também ecoa da música negra norte-americana, ritmo e canto que se desprendem das margens e correm pelo mundo. 

MEU CORAÇÃO SE DEIXOU LEVAR

Se um dia, que fosse por um único dia, o rio carregasse toda tristeza, se encheria de lágrimas para levar alegria a quem suplica ao Senhor para tornar-se um instrumento da paz. A barqueada atravessa o velho rio, onde os devotos navegam entre rezas e cânticos de fé. 

Nessas águas azuis, encontram-se muitas culturas, histórias e credos, lendas e mistérios. Recebem, pelo caminho, orações e oferendas. Refletem o ouro das nascentes, que brilha no culto a Oxum, orixá das águas doces do rio, da riqueza, da prosperidade e da beleza. Arrastam o povo, cantando a música que só um rio pode inspirar. No altar do samba, rezam as pastoras e os pastores, como fiéis na santa missa da capela. Cobre a Sapucaí o manto azul e branco da Portela. Salve o rio, salve a Santa, salve ela! 

Isabel Azevedo – Ana Paula Trindade – Simone Martins – Paulo Barros

 
Ano do enredo: 2016
Título do enredo: No vôo da águia, uma viagem sem fim
 
Ano do enredo: 2015
Título do enredo: "Imagina Rio, 450 janeiros de uma cidade surreal"
 
Ano do enredo: 2014
Título do enredo: “Um rio de mar a mar: do Valongo à Glória de São Sebastião”
Descrição do enredo:


Invocação

Hoje, a nossa alma canta

E esse canto ecoa forte e faz a Águia da Portela voar. Com versos de Jobim, Rio que se mostra sorrindo: prova de amor que encerra ”seu céu, seu mar sem fim”

E como onda que avança na maré cheia, invade. Vai e vem no fluxo e refluxo da história incessante a se transformar. Um canal que se abre e transborda em um Rio, que nos carrega, que começa e termina no mar.

Rio de janeiro, de fevereiro e março, carnaval!

De Estácio de Sá e Aimberê, guerreiro uruçumirim. De luta e invasão a se tornar casa de branco ”carioca”, de umpovo que flechado de amor se rende e se reinventa à glória de São Sebastião.

Rio azul que passa em nossas vidas, a passar. Passado, presente e futuro.Onde o nosso coração se deixa levar. Rio de história que, de mar a mar, nos conta, como contas que nos unem num colar. Rio de fato que nos ata ao porto de suor e sangue, do banzo de Benim, Angola e Congo nos elos da corrente do Cais do Valongo. Da África que veio pro lado de cá.

Rio, rua e boulevard! Abre-se de cima a baixo e bota abaixo becos, vielas e cortiços, para do ”lixo” ao luxo se transformar. Rio que nasce e cresce audaz. Rio que se refaz e alcança a bela época. Rio jardim de França, Rio a beira mar: desfila glamour e elegância.

Rio que se ergue monumental, eclética escultura a esboçar a sua vocação, fina estampa de jornais e revistas. Rio em cena: ao abrir do pano a orquestra do dia a dia, ópera do cotidiano, capital da arte e da cultura.

Rio que ri, canta e sonha nas ondas do rádio. Divas, reis e rainhas, vozes que embalam a fantasia da festa tradicional. Rio vivo, via que fervilha.

Rio que abre-alas pra folia. Sorrio no Rio de alegria, por onde desfila o carnaval.

Rio que se espraia na praça e onde o povo se encontra, se abraça e, na tela, se projeta em sonhos e emoções. Rio de estrelas, de luz, câmera e ação. Rio em festa a brindar a vida, a esquecer da lida, na dança das ilusões.

Rio que marcha revolto, de águas passadas, das chibatas a lavar a alma de seus heróis

Rio que é voz de um povo que quer livre e feliz. Rio de chumbo vai ”caminhando e cantando e seguindo a canção”, na luta e conquista, caras pintadas, 100 mil na pista. Bravo ”coração de estudante” a mudar um país.

Rio a correr e a recuperar o tempo perdido. Rio aguerrido a enfrentar o presente. Desafio de um povo, da gente do Rio, superação. Rio que se levanta a vai em frente, à frente do tempo, desfaz e faz. Rio vida que segue em seu vai e vem, Rio branco de paz.

Rio, correnteza afã, ida, vinda e volta, ponto de partida para a chegada do futuro. Rio Mar, na onda da arte de construir o amanhã. Rio porto aberto, de mar a mar para o que vier, para quem quiser chegar e amar.

Rio que abre o coração, cor de maravilha.

Rio de amor que se eterniza quando acolhe, aquece, abençoa e batiza as águas da Praça com as águas sagradas da Guanabara

Seu povo em procissão:

Rufam os tambores da Portela à Gloria de São Sebastião

 
Ano do enredo: 2013
Título do enredo: "Madureira... O meu coração se deixou levar"
Descrição do enredo:


Rio de Janeiro, 1970.

Avenida Presidente Vargas.

“Nesta Avenida colorida a Portela faz seu carnaval...”

Com o rosto molhado de suor e lágrimas, vejo a minha Escola conquistar a plateia com mais um desfile. Agora com um sabor especial, se aquecendo... “senti meu coração apressado, todo o meu corpo tomado, minha alegria voltar...”

E então pensei:

“Meu coração tem mania de amor...” E que amor é esse que me conquista a cada dia? Que amor é esse que move toda essa gente? De onde vem isso tudo e como essa história começou?

E é isso que vou descobrir.

E assim, com a alma aquecida de emoções, lá fui eu para Madureira, de trem, cantando samba, assim como Paulo Benjamin fazia décadas atrás.

“Eu canto samba
Porque só assim eu me sinto contente
Eu vou ao samba
Porque longe dele eu não posso viver...”

Quero trilhar os caminhos desse povo, como um “peregrino”, descobrir sua gente, sua cultura, sua fé, o seu canto e o seu samba.

Descobrir sua história.

Pisar onde outrora pisaram tropeiros, escravos, boiadeiros, mercadores e imperadores, caminhos de trabalho e suor, onde antes só se viam fazendas, engenhos e fé, afinal toda essa história começa pela fé.

E o povo dança, o povo canta; dança o branco, dança o negro.

“Pisei na pedra
A pedra balanceou
Levanta meu povo
Cativeiro se acabou”

Negros fugidos, negros forros. Festa, jejum e esmola. Samba, dança, música e religião. Enfrentar a dor através da arte.

Casas de umbanda e casas de candomblé, liderança e mistério, atraindo a atenção para a “roça”.

Caminhos de terra, caminhos de ferro.

E o povo vai chegando, de tudo quanto é direção. Imigrantes de dentro e de fora. Os caminhos viram estradas.

Estradas de terra, estradas de ferro.

Chega o progresso e com ele os ambulantes, que depois viram mercadinhos, os mercadinhos viram mercados e os mercados viram mercadões.

E eu... vou seguindo meu caminho.

Vou ouvindo batuques, ritmos e sons. Sons sincronizados, parecendo sapateado. Mas são apenas sons de pés, que dançam, chutam e pulam. Pés que vão construindo outros caminhos. Não importa se num tablado, no asfalto ou na grama, o importante é a ginga, que por vezes me lembra a de um malandro. Como tantos que esta história construiu. Ou como tantos que aqui chegaram para construir outras histórias. Malandros loiros, brancos, mulatos, sararás, crioulos. Assim como as músicas, loiras, brancas, mulatas, sararás e crioulas, ou como se diz agora: black.

“No carnaval, esperança
Que gente longe viva na lembrança
Que gente triste possa entrar na dança
Que gente grande saiba ser criança”

E o batuque continua.

Marchinhas, mascarados, coretos, baianas, blocos de sujo, carnaval...

São os caminhos da folia! Caminhos da fantasia, onde cada um é o que deseja ser, onde mulher pode virar homem e homem, virar mulher. E é através da fantasia, do sonho, que nascem duas das maiores Escolas de Samba da história.

E que orgulho hoje ver Portela e Império, juntas, a cantar que esse nosso lugar “que é eterno no meu coração. E aos poetas traz inspiração pra cantar e escrever”.

Madureira é assim. Amor, atividade intensa, vivida com orgulho suburbano, lugar de morada da altiva nobreza popular, pois aqui reside a Majestade do Samba.

“Não posso definir
Aquele azul
Não era do céu
Nem era do mar...”

Tantos são os caminhos, e por eles vou atrás de suas histórias, me sentindo cada vez mais parte integrante dela, deste lugar e destes caminhos, que hoje se encontram mais uma vez, afinal...

Sou Paulo, sou Paulinho, da Viola e da Portela.

E tenho muito orgulho em contar esta história para vocês, afinal... “o meu coração se deixou levar.”

E, agora, o mesmo trem que me trouxe, me leva de volta, e continuo batucando, não mais como Paulo Benjamin fazia, mas como todos os Portelenses continuam fazendo ainda hoje, preservando a sua memória e o seu lugar, que eternamente será conhecido como a “Capital do Samba”.

“Madureiraaa, lá lá laiá.”

Paulinho da Viola,
pelas mãos de Paulo Menezes (e mais uma vez os caminhos se cruzam).

Este enredo é dedicado aos noventa anos da Portela e a todos os portelenses que, infelizmente, não estão mais entre nós, mas que continuam abençoando a Portela lá de cima, do Olimpo dos sambistas.

Enredo e pesquisa: Paulo Menezes e Carlos Monte

 
Ano do enredo: 2012
Título do enredo: ... E o povo na rua cantando. É feito uma reza, um ritual
Descrição do enredo:

"...E o povo na rua cantando. É feito uma reza, um ritual..."

Pequena Prece ao Senhor do Bonfim.

Salve, meu Pai Oxalá, Meu Senhor do Bonfim!
Senhor do branco, pai da luz.
Força divina do amor...
Epa Babá!
Meu pai, “... sou filha de Angola, de Ketu e Nagô
Não sou de brincadeira

Canto pelos sete cantos
Não temo quebrantos
Porque eu sou guerreira
Dentro do samba eu nasci,
Me criei, me converti
E ninguém vai tombar a minha bandeira.”

E venho a ti pedir sua benção e proteção, e pedir, também, licença aos meus padroeiros, para conduzir a minha águia altaneira, o meu altar do samba, até a sua presença.

Sabe, meu senhor, sempre fomos muito festeiros, muito devotos, e gostaria muito que o meu povo conhecesse o seu povo e a sua maneira de festejar, de reverenciar a sua crença, a sua fé.

Por muitas vezes cantei a Bahia, agora chegou a hora de mostrá-la.

“... essa Bahia gostosa
Cheia de encanto e feitiço
Que deixa a gente dengosa
E a gente nem dá por isso”

Bahia que tem o dom de encantar.
Terra em que o branco e o negro, o sagrado e o profano, o afro e o barroco se misturam e se tornam uma coisa só. No mar da Bahia, tudo e todos se misturam.

Bahia de vários corações... sagrados corações.

Terra de cores, cheiros e temperos.
Terra de festas e de fé, de santos e orixás.
Terra de samba.
Terra de amor e devoção.
A Bahia é festa o ano todo e o povo vai pra rua manifestar a sua fé.

“... E esse canto bonito que vem da alvorada.”

Alvoradas, missas, procissões, afinal “quem tem fé vai a pé”.
Novenas, flores, fitas, águas e perfumes.
Cortejos, fiéis e cânticos.
Velas, orações e adoração.
Gente que dança!
Tambores e atabaques, samba de roda, batucadas.
Comidas, pois festa sem comida não é na Bahia.

Gente que canta!
Canta pro santo, canta pro orixá. Canta para os dois ao mesmo tempo. É o sincretismo se fazendo presente.
Louva a alegria, a liberdade, a esperança.

Gente que pula!
Pula como pipoca, como cordeiro, em blocos e trios. Transforma as ruas em um mar branco, de paz.
Mar branco, mar vermelho, mar azul. Bahia é feita de mar, é feita de água.

Gente que louva!
Beatos, filhos-de-santo, padres, mães-de-santo, fiéis e iaôs, todos juntos num mesmo ideal. Deuses e mortais, passado e presente.Altares e terreiros, tudo é mistério. As divindades tão próximas e tão íntimas. O milagre da cumplicidade com o sagrado. A luz dos orixás refletida nos olhares.

“... Tem um mistério que bate no coração
Força de uma canção que tem o dom de encantar.”

É dia de festa na Bahia. Não importa como começou. Não importa se um dia tudo vai terminar, pois o riso e o gesto já estão gravados na eternidade, no céu e no mar.

Bem aventurados todos aqueles que puderem ver a Bahia em festa.

E neste momento, meu Senhor, vejo que tudo aquilo que move o baiano: a fé, a alegria, a esperança, a crença e a devoção, move também o meu povo, o portelense.

Um povo que nunca desiste, vive a sorrir e a festejar.

E que essa Bahia que é de Todos os Santos, seja a partir de então dos santos da Portela também, que eles passem a fazer parte do seu panteão, estendendo sobre eles o seu divino manto e nos conduza a um desfile triunfal sobre o altar do carnaval.

Bem aventurados aqueles que puderem ver a Portela em festa.

Afinal,
Sou Clara,
Sou Portela,
Sou Guerreiros,
Sou Amor!
Salve o manto azul e branco.
Amém!

Paulo Menezes
Enredo: Paulo Menezes e Marquinhos de Oswaldo Cruz

 
Ano do enredo: 2011
Título do enredo: Rio, azul da cor do mar
Descrição do enredo:

Carta de Navegação

A bravura e o destemor dos navegantes foram determinantes para que o homem criasse rotas marítimas e, através delas, promovesse o comércio e o intercâmbio entre os povos mais distantes e de diferentes culturas. Este aprendizado foi essencial para a evolução da humanidade; e a consolidação do que convencionamos chamar de “globalização”.
Desde os primórdios, o homem entendeu a importância do mar para alcançar os seus objetivos de interação, comunicação, comércio, conquistas e, em sentido mais amplo, de sobrevivência.

Nas civilizações mais remotas – e entre elas destacamos os egípcios, chineses e gregos – o homem se valeu de embarcações rudimentares para enfrentar o maior de seus desafios: o mar. Para se orientar na imensidão e no desconhecido, aprendeu a decifrar a configuração das constelações.

Estrelas foram companheiras em missões de comércio e conquista, transformando aventuras em expedições com metas pré-estabelecidas. Mesmo assim, esses homens foram obrigados a enfrentar o medo espalhado pelos sete mares.

Para encontrar um caminho que os levassem às terras das especiarias – condimentos usados para tempero e conservação dos alimentos – tiveram que cruzar regiões supostamente habitadas por monstros e terríveis criaturas das profundezas, acostumados a devorar quem ousasse cruzar os seus domínios.

Tratava-se de uma estratégia usada pelos mercadores árabes para atemorizar os concorrentes europeus, protegendo - com a criação dessas lendas e mitos - o monopólio de mercadorias que tinham, na época, a mesma importância que o petróleo possui atualmente para a economia mundial. Nesse Mar Tenebroso, a ambição dos colonizadores inaugurou também a rota do tráfico negreiro.

Essas linhas de comércio e conquista ultrapassaram os limites do Mediterrâneo, ganharam o Atlântico e o Pacífico, traçando novas etapas na História da Humanidade. Consolidaram “estradas” que até hoje são essenciais para o transporte dos mais diversos tipos de mercadorias e equipamentos, bem como de viajantes que se locomovem por todos os quadrantes. São vitais para a nossa sobrevivência.

Dentro desse contexto, a Portela dedicará um momento especial de sua apresentação para homenagear os 100 anos do Porto do Rio – historicamente, a porta de entrada de nosso país, por onde também exportamos produtos gerados pela mão-de-obra e tecnologia brasileiras. É lá que a Cidade Maravilhosa ganha um novo impulso, sendo referência do comércio exterior.

Manancial inesgotável de inspiração, consolidado em todos os gêneros de arte, o mar conduzirá a Portela a uma nova missão: mais do que um Rio, ela se propõe a ser um Mar que passará em nossas vidas. E, certamente, nossos corações se deixarão levar.

Venha, navegue conosco!

Autores: Marta Queiroz, Cláudio Vieira e Roberto Szaniecki
Desenvolvimento: Roberto Szaniecki

RIO, AZUL DA COR DO MAR

Sinopse

Porto de Sapucahy , verão de 2011

Soltem as amarras e deixem as velas enfunarem ao sabor do vento. Vejam o cais se distanciar e, com ele, as lembranças que ficaram. Na bagagem, trazemos sonhos e esperança. Nossos olhos já não conseguem divisar o que é mar, o que é céu, e tentam traçar uma linha de equilíbrio no horizonte. Singramos no azul!

Subamos à gávea para conversar com as estrelas, companheiras de saudades e solidão. Ora, direis, ouvir estrelas… Por que não?

Estrelas são quase tudo o que temos. Além delas, trazemos instrumentos que nos ajudarão a decifrá-las. Elas se espalham pelo céu formando desenhos e um deles nos chama a atenção. É uma águia! Sim, uma águia em forma de constelação. E será esta que escolheremos para nos guiar pela imensidão.

Dizem que o destino está traçado nas estrelas. Ensinam que precisaremos de muita coragem para enfrentar os perigos e, sobretudo, determinação. E, com fé em Deus, navegaremos pelos sete mares que abrirão os portais do coração.

No Reino de Poseidon, tempestade e bonança

Estamos a muitas braças do continente, nessa noite tenebrosa. A fúria do vento força a resistência dos cabos que sustentam o mastro principal. O tecido das velas parece que não conseguirá resistir. Ondas se agigantam, cobrindo o casco. Raios, relâmpagos e trovões abrem fendas no firmamento.

Começamos a enfrentar o desafio do desconhecido. E, sem que tenhamos tempo de raciocinar, nos deparamos com o medo escondido em nossos porões.

Das profundezas surgem criaturas fantásticas! São polvos, serpentes e dragões abrindo uma estrada na espuma, levando-nos por um turbilhão sem fim.

Ao abrirmos os olhos, porém, tudo se transforma. Cavalos marinhos conduzidos por guerreiros transportam o cortejo de reis e rainhas que governavam a crença de civilizações que desapareceram no mar abissal.

O que tenta nos dizer a tempestade, afinal?

Respeitar o que é do mar, mas nunca temer. Acima de toda maldade, o bem sempre há de vencer.

Mare Nostrum, sob a luz de Alexandria

Estas galés que cruzam o nosso caminho transportam toras de cedro, tapetes, tecidos, cerâmicas, corantes, jóias, peças de metal e outros produtos que as mãos do homem foram capazes de moldar.

Do Oriente partem gigantescas embarcações. São os chineses oferecendo novas trocas, ampliando suas rotas, construindo relações.

São mercadorias que remontam aos tempos dos primeiros navegantes, que se lançaram ao mar. Para trocá-las em outros portos, fenícios e egípcios não imaginavam que também deixariam vestígios de sua cultura milenar.

Gregos e romanos inauguraram um tempo de conquistas, ampliando as frentes de comércio e os limites de seus territórios.

Da distante Alexandria, brilha uma chama, transformando a noite em dia.

A caminho de Calicut

Debruçados sobre mapas, lendas e antigos relatos tentamos encontrar o caminho que nos levará às misteriosas terras das especiarias. É para lá que apontam nossos olhos, mergulhados em fascínio.

Para proteger este comércio, mercadores árabes semearam lendas de monstros e gigantes que devoravam quem ousasse cruzar os seus domínios.

Tudo mentira. O pesadelo agora é um sonho. As águas ganham novos matizes e como atrizes representam cada uma de nossas expectativas: cravo, canela, açafrão, flor de lótus e também porcelanas, tapetes, sedas e joias que não se cansam de brilhar.

As mais variadas fragrâncias se misturam no ar. Conseguimos, estamos em Calicut! Mas não devemos nos demorar.

Atlântico, em direção ao Pacífico

O Velho Mundo despertou para um novo século sabendo que não estava mais só. Por trás do horizonte, entre o nascente e o poente, existiam outras terras e riquezas a se alcançar.

Eram terras primitivas, que ficavam muito além da calmaria e daqui podemos vê-las. Ao dia, parece uma deslumbrante miragem, ocupada por nativos, adornadas pelas praias e a plumagem dos pássaros mais bonitos que já se viu. Eis a visão do paraiso tropical.

São tantas terras que nossos olhos se perdem ao tentar abraçá-las. Elas se escondem sob florestas, percorrem montanhas e flutuam nas nuvens, onde guardam segredos e mistérios de antigos impérios, que se curvavam diante do Sol.

Quantas riquezas brotam de suas nascentes! Ouro, prata, pedras preciosas e uma madeira estranha, que tinge de sangue o tecido mais nobre. Dizem que o futuro a perpetuará na força de um gigante chamado Brasil.

Mare Liberum, numa ilha do Caribe

Quantas estradas se abrem neste azul sem fim! O Atlântico é cortado em todas as direções. Embarcações de diversas bandeiras transportam cana-de-açúcar, café, tabaco e algodão.

Já não existem fronteiras para o comércio, nem medidas para a ambição. Outras galés rumam para a África, inaugurando a rota do tráfico negreiro. Trazem milhões de escravos, despejando-os em solo americano. Aceleram a produção, deixando uma dor que não se apaga e uma chaga que ainda marca o sentimento humano.

Negros vão, corsários vem. O mar já não pertence nem à Armada do Rei. Agora, é terra de ninguém.

Brasil, entre riquezas e belezas

Abençoada natureza, que sempre encantará os olhos de quem veleja no aconchego dessa Baía. A mesma brisa que traz lembranças do passado, sopra na direção do futuro, ensinando que o mar foi, é e será a principal via de comunicação entre os povos mais distantes.

Salve, Porto centenário, e esse intenso vai-e-vem do comércio exterior. Foi aqui que começaram e depois se intensificaram nossas relações com o estrangeiro.

Esse marulhar fustiga a todo instante, recordando investidas e o leva-e-traz . As ondas não se cansam de contar todos os tesouros que ficaram para trás; mas ainda guardam nas profundezas a mais preciosa das riquezas, que, por muito tempo, nos impulsionará.

Rio de Janeiro, ponto de encontro de brasileiros de Norte a Sul, de Leste a Oeste; que recebe de braços abertos o jangadeiro e outros irmãos do Nordeste. Rio das praias, das raias, cruzeiros, pescadores da noite e da vida marinha. Terra de São Sebastião, paraíso dos golfinhos.

Porto dos Amores, Fonte da Inspiração

Aqui da proa, quando olhamos para trás, não conseguimos dar conta do tempo que passou. Orientados pelas estrelas, desafiamos tempestades, enfrentamos inimigos e aprendemos que navegar é preciso – mas na mesma direção!

Foi assim que descobrimos novos continentes, inauguramos a rota do Oriente e encontramos em pleno mar a Fonte da Inspiração.

Traduzimos os sentimentos em música, transportamos a emoção para a ópera e o teatro, recriamos aventuras em romances, no cinema eternizamos sagas e amores em paginas de clássicos memoráveis. Quando pintamos uma marina, tentando retratar a fascinação que existe em tanto mar, deixamos o azul brincar na tela.

Descobrimos que o mar não é apenas um tema: ele tem início, meio e fim, é um enredo. E toda essa experiência começou quando vencemos o medo, desfraldando as velas no Carnaval.

Pois, o amor é azul. O céu é azul. O mar é azul.
E entre eles, navega a nossa querida Portela!

 
Ano do enredo: 2010
Título do enredo: Derrubando fronteiras, conquistando liberdade... Rio de paz em estado de graça!
Descrição do enredo:

 "O homem vive de razão e sobrevive de sonhos"

La Rochefoucauld*

Tens um computador,

finalmente a nova era chegou...

Ligado à rede mundial

És um doutor, um sábio, mestre.... Educador

Em saber universal;

Basta pesquisar, para novos vôos alcançar,

E tens muito a colher;

Para estudar

E aprender;

Podes trabalhar e se atualizar

Ou usá-lo para lazer;

Podes ensinar

E aprender,

Com paciência

E algum vigor;

Descobrir a ciência,

Ou ser um jogador;

Tens poder para comunicar,

Ler e escrever;

Para seres um pesquisador;

Sem saíres do teu lugar

Podes ser um ator;

Podes viajar, acreditar

Podes lutar;

Ter um saber para ganhar

E ser carioca, para sonhar, num outro plano acreditar

Se tiveres informatizado

Conquistar é preciso...

Derrube as barreiras... Acredite!

Viva a liberdade com a paz do amanhecer

Num Rio de Janeiro que, vislumbra melhorias

Através dessa ferramenta de inclusão e socialização...

Vamos viver em estado de graça!

* Moralista francês do século XVII, célebre por suas máximas

INTRODUÇÃO

“... Um grito proclamado pelas vozes do silêncio, pelos navegantes democráticos, pelos marginalizados tecnológicos, pelos “infonautas” do desejoenseja o atual momento. Vivemos numa sociedade partida/repartida pela exclusão econômica e social. Agora, o acesso à informação transformou-se em instrumento de inclusão das comunidades excluídas devido ao seu potencial interativo, dinâmico, formador de opiniões e disseminador de idéias . Nesse contexto, surgem, nos mais diversos “cibercantos” do país, grupos, entidades, intelectuais, artistas,  reunidos num grande cordão interativo, em busca do acesso pleno da informação e da comunicação em tempo real. Esse movimento possibilita  ligar os mais variados segmentos, romper o isolamento e  tem influído na inclusão dos excluídos na instauração do  processo da “cibermania”. As pessoas e a vida das cidades estão cada vez mais articuladas com a tecnologia e a ciência da informação.É urgente a necessidade de tornar acessíveis esses novos conhecimentos e recursos, sobretudo para os setores marginalizados pela exclusão social. Nesse sentido, a nossa luta pela democratização da informação representa um grande passo para a ampliação do exercício da cidadania e pela difusão do bom uso das  novas tecnologias. Desnecessário falar da  importância de você chegar e “plugar-se”. Saiamos da imobilidade e conectemos os laços que nos unem, visando criar uma nova realidade, não somente  virtual mas também que seja palpável, transformável, interagível... Precisamos agir velozmente, pois o “tempo não para”, nem espera, porém o agir exige precisão e rumo...

Micreiros e micreiras de todo mundo, uni-vos on line!.” 

SÍNTESE

Um novo mundo é possível em função do rápido avanço da ciência e das tecnologias de informação.

Dar-se-á  o “login” ao nosso Rio de Janeiro como Portal Digital do Brasil… Centro de referência tecnológica, “host” que proporcionará, assim, a utilização da “Internet” como ferramenta de melhoria em nossa qualidade de vida… Os benefícios são muitos, em várias áreas de atuação, que contribuirão para chegarmos ao tão sonhado estado de graça, tais como: inclusão social, democracia, cultura, arte, sustentabilidade, educação, saúde, desenvolvimento humano e paz... Portanto, o objetivo desse enredo é estimular a reflexão sobre os múltiplos usos dessa nova ferramenta de conexão interpessoal, que está transformando nossas vidas por completo e  propiciando a redução das desigualdades históricas em nossa sociedade… Banda larga, intervenção cirúrgica por robótica, educação à distância, videoconferência, “games” e “download” de áudios e de vídeos são apenas alguns dos vários recursos disponibilizados com a chegada dessas novas tecnologias. Diferentes serviços estão disponíveis e outros tantos estão a caminho. A previsão do futuro é “update”! Digite sua “password”, pois o acesso é personalizado e único,  e  encontre-se com a magia do samba que irá te transportar ao infinito e  fazer navegar pelo browser universal “por um mundo desconhecido”… Assim, o GRES.PORTELA escolheu para 2010 o tema da Inclusão Social por meio dos acessos às novas tecnologias de informação. Acreditamos que, através da inclusão social, os poderosos podem se redimir das iniqüidades que sempre cometeram contra os menos favorecidos, voltando-lhes as costas e mantendo-os afastados do acesso ao conhecimento, fator principal da criação de oportunidades para o progresso humano. Ao adotá-lo, assim, se identifica com nosso festejado e imortal compositor Candeia, em sua obra-prima “Dia de Graça”, na qual vislumbrava uma sociedade em que os excluídos conseguiriam ascender socialmente....

GLOSSÁRIO

•Acesso: Entrada em um web site ou entrar na própria Internet através de uma conexão.

•Backbone: É a “espinha dorsal” da internet. É o conjunto de equipamentos que faz a conexão da internet entre o Brasil e o mundo.

•Baixar: O mesmo que download, ou seja, trazer para seu computador um programa, um texto ou uma imagem.

•Banda Larga: tipo de conexão rápida pela Internet. 

•Chat: Um bate-papo através do uso de computadores.

•Ciberespaço: É o ambiente da Internet.

•Conexão Móvel – Uma ligação que continua ativa, mesmo quando o usuário se desloca por uma região da cidade.

•E-mail: Correio eletrônico.

•E-topia: A utopia, o “sonho” de um mundo melhor, construído com o apoio da tecnologia digital.

•Internautas: Os usuários da Internet.

•Internet: Imensa rede de redes que se estende por todos os países. Os meios de ligação são: rádios, linhas telefônicas, roteadores, satélite, bridges, hubs e switches.

•Login: Identificação de um usuário em um computador. Fazer login é o ato de dar a sua identificação de usuário ao computador.

•Listas de Discussão: Um serviço da Internet que um grupo de pessoas troca de mensagens por e-mail entre todos os membros do grupo.

•On line: Significa “estar em linha”, estar ligado a um computador.

•Robótica: Parte da tecnologia que estuda e desenvolve equipamentos compostos de partes mecânicas controladas por computador. Ou seja, é o ramo da ciência que estuda como podemos construir e utilizar robôs.

•Smartphone: Telefone celular que possui, entre outros recursos, o recurso de acesso à Internet.

•Videoconferência: Uma conversa entre pessoas que estão separadas geograficamente, mas que, com o auxílio de recursos tecnológicos, podem ter o contato visual e sonoro.

•(World Wide Web| www: Rede de comunicação que permite o uso de imagens e textos na Internet.

Colaboração: Artur Gomes, Carlos Monte e Marcio Egydio.

Ano: 2017
Título do samba enredo: Foi um rio que passou em minha vida e meu coração se deixou levar
Compositores do samba enredo: Samir Trindade, Elson Ramires, Neizinho do Cavaco, Paulo Lopita 77, Beto Rocha, Girão e J.Sale
Letra:

Vem conhecer esse amor
A levar corações através dos carnavais
Vem beber dessa fonte
Onde nascem poemas em mananciais
Reluz o seu manto azul e branco
Mais lindo que o céu e o mar
Semente de Paulo, Caetano e Rufino
Segue seu destino e vai desaguar

A canoa vai chegar na aldeia
Alumia meu caminho, Candeia
Onde mora o mistério, tem sedução
Mitos e lendas do ribeirão

Cantam pastoras e lavadeiras pra esquecer a dor
Tristeza foi embora, a correnteza levou
Já não dá mais pra voltar (ô iaiá )
Deixa o pranto curar (ô iaiá)
Vai inspiração, voa em liberdade
Pelas curvas da saudade
Óh mãmãe Orayeyeo vem me banhar de axé Orayeyeo

É água de benzer, água pra clarear
Onde canta um sabiá

Salve a velha guarda, os frutos da jaqueira
Oswaldo Cruz e Madureira
Navega a barqueada, aos pés da santa em louvação
Para mostrar que na Portela o samba é religião

O perfume da flor é seu
Um olhar marejou sou eu
Quem nunca sentiu o corpo arrepiar
Ao ver esse Rio passar

 
Ano: 2016
Título do samba enredo: No vôo da águia, uma viagem sem fim
Compositores do samba enredo: Samir Trindade, Wanderley Monteiro, Elson Ramires, Lopita 77, Dimenor e Edmar Jr.
Letra:

Voar nas asas da poesia
Rasgar o céu da mitologia
E nessa Odisséia viajar
Meus olhos vão te guiar, na travessia
E no meu destino sem fim
Cruzar o azul que é tudo pra mim
Enfrentar tormentas e continuar, a navegar

Oh leva eu me leva, aonde o vento soprar eu vou
Oh leva eu me leva, sou livre aonde sonhar eu vou

Quisera ir ao infinito
Sentir lugares tão bonitos
Em terras mais distantes me aventurar
Sem saber se um dia vou voltar

E mais além, no elo perdido cheguei
No vai e vem, a chave da vida encontrei

Vou pedir passagemem
Busca do ouro
O seu brilho me fascina
Quero esse mapa da mina, pra achar tesouros
Abre a janela, pro mundo que Paulo criou
Do outro lado, alguém pode ver esse amor
Meus filhos vem me adorar
O Samba reverenciar
Abram alas, vou me apresentar

Eu sou a Águia, fale de mim quem quiser
Mas é melhor respeitar, sou a Portela
Nessa viagem, mais uma estrela
Que vai brilhar no pavilhão de Madureira

 
Ano: 2015
Título do samba enredo: "Imagina Rio, 450 janeiros de uma cidade surreal"
Compositores do samba enredo: Noca da Portela, Celso Lopes, Charlles André, Vinicius Ferreira e Xandy Azevedo
Letra:


Oh meu Rio!
A Águia vem te abraçar e festejar
Feliz cidade sem igual
Paraíso divinal
 

E eu "daqui" feito "dali"
Em traços te retrato surreal
 

A natureza lhe foi generosa
Na Guanabara formosa mulher
Despertou cobiça, beleza sem fim
Delícias de um nobre jardim
 

Eu vi o menino do rio versar
Um lindo poema
Para impressionar a princesinha do mar
Sonhando com a garota de Ipanema
 

Vem amor, a Lapa dá o tom pra boemia
Vem amor, a nave da emoção nos contagia
Lá vem o trem chegando com o povo do samba
Lá vai viola, o batuque só tem gente bamba
Tão bela! Orgulhosamente, a Portela
Vem cantar em seu louvor ô ô ô ô
Central do meu Brasil inteiro
Morada do redentor
 

Sou carioca, sou de Madureira
A tabajara levanta poeira
Pra essa festa maneira meu bem me chamou
Lá vem Portela, malandro, o samba chegou!

 
Ano: 2014
Título do samba enredo: “Um rio de mar a mar: do Valongo à Glória de São Sebastião”
Compositores do samba enredo: Toninho Nascimento, Luiz Carlos Máximo, Waguinho, Edson Alves e J. Amaral
Letra:

O canto do cais do Valongo ôooooo
Que veio de Angola, Benin e do Congo
Tem semba, capoeira e oração
O Rio sai da roda de jongo e vai desaguar
Na Glória de São Sebastião

Oi bota abaixo, sinhô
Oi bota abaixo, sinhá
Lá vem o Rio
De terno de linho e chapéu panamá

A correnteza
De um Rio Branco é que traz
A arte do canto e a dança,
Todos os sons musicais
O teatro da vida não sai de cartaz
A ilusão é uma atriz
Se exibindo na praça linda e feliz

Eu vou
Da Revolta da Chibata
Ao sonho que faz passeata
Seguindo a canção triunfal

Nesse Rio que vem e que vai
Traço o meu destino
E viro menino pra brincar de carnaval

Sou carioca, meu jeito é de quem
Vem com sorriso do samba que a gente tem
Meu peito é um porto aberto
Pra te receber, meu bem

Vou de mar a mar, mareia
Vou de mar a mar, mareia, mareou
Iluminai o tambor do meu terreiro
Ó santo padroeiro
O axé da Portela chegou

 
Ano: 2013
Título do samba enredo: "Madureira... O meu coração se deixou levar"
Compositores do samba enredo: Wanderley Monteiro, Luiz Carlos Máximo, Toninho Nascimento e André do Posto 7
Letra:



E lá vou eu cantando com a minha viola
O amor tem seus mistérios
Por onde me deixo levar
laiá
Nossa história começa por lá
No engenho da fazenda
Dos cantos de "canaviá"

Bate o sino da capela
Oi... Que é dia de santo sinhá
Tem mironga de jongueiro
O tambor me chamou pra dançar

Tempo rodou na roda do trem e veio
A inspiração do partideiro
Que versou no Mercadão
Foi nesse chão
Que a estrela brilhou no tablado
O "Madura" pisou no gramado
O malandro charmoso dançou
No pagode com outro gingado
Quando o bloco chegou
Agitou o suingue do black
E a nega baiana girou

Cai na folia, sem grilo, meu bem vem na fé
Na ilusão da fantasia
Vai como pode quem quer

Surgiu a Serrinha imperial
Em outros caminhos para o mesmo ritual
Portela, meu orgulho suburbano
Traz os poetas soberanos nesse trem para cantar
Que Madureira é muito mais do que um lugar
É a capital de um sonho que me faz sambar

Abre a roda, chegou Madureira
A poeira já vai levantar
O batuque ginga Iôiô
Ginga Iáiá

 
Ano: 2012
Título do samba enredo: ... E o povo na rua cantando. É feito uma reza, um ritual
Compositores do samba enredo: Wanderley Monteiro, Luiz Carlos Máximo, Toninho Nascimento e Naldo
Letra:

Meu Rei
Senhor do Bonfim alumia
Os caminhos da Portela
Que eu guardo no meu patuá
Eu vim com a proteção dos meus guias
Com Clara Guerreira à Bahia
Cheguei, eu cheguei pra festejar
Deixa lavar, nos altares e terreiros
Tem jarro com água de cheiro
Vou jogar flores no mar

No mar
Procissão dos Navegantes
Eu também sou almirante
De Nossa Senhora Iemanjá

Vou no gongá
Bater tambor
Tezo no altar
Levo o andor
Vem chegando os batuqueiros
Desce a ladeira, meu amor
Que a patuscada começou
Eu vim pra rua
Que o samba de roda chegou

Iaiá
De saia rendada em cetim
Bota o tempero na festa
Oi, tem abará e quindim

Portela cheia de encantos
Acolhe a Bahia em seu canto
De festas, rezas, rituais
Vestido de azul e branco
Eu venho estender o nosso manto
Aos meus santos do samba que são orixás

Madureira sobe o Pelô...tem capoeira
Na batida do tambor...samba Ioiô
Rola o toque de Olodum...lá na Ribeira
A Bahia me chamou

 
Ano: 2011
Título do samba enredo: Rio, azul da cor do mar
Compositores do samba enredo: Wanderley Monteiro, Gilsinho, Luiz Carlos Máximo, Jr. Escafura e Naldo
Letra:

Brilhou no céu
A luz da águia, a estrela-guia
Do coração navegador
Que na travessia enfrentou
Todo o medo que havia
Era só mitologia do mar
A lenda deu lugar para o juízo
Que pra viver é preciso navegar
As galés do oriente já vêm
Da Fenícia e do Egito também
Gregos e romanos partem para conquistar
E o farol da Alexandria fez a noite clarear

Os mistérios vão desvendar
Para um novo caminho encontrar
Lá na índia, especiarias
Leva-e-traz mercadorias

A ambição do europeu se encantou
Com o novo mundo de riqueza natural, sem igual
Os navios negreiros
Jogam seus lamentos pelo ar
Nas águas de iemanjá
Nem corsário aventureiro, nem o rei pode mandar
Oi leva mar, oi leva
Leva a jangada numa nova direção
O porto centenário abriu seus braços
Na terra de São Sebastião
Portela vai buscar no horizonte
A eterna fonte de inspiração
Um oceano de amor que virou arte
E deságua na imaginação

Lindo como o mar azul
Meu grande amor, minha Portela
A força do seu pavilhão vai me levar
A navegar

 
Ano: 2010
Título do samba enredo: Derrubando fronteiras, conquistando liberdade...Rio de paz em estado de graça
Compositores do samba enredo: Ciraninho - Rafael dos Santos - Diogo Nogueira - Naldo - Junior Escafura
Letra:

PORTELA SEGUE OS PASSOS DA EVOLUÇÃO... LIBERDADE!
NUM CLIQUE DELETA BARREIRAS
DELETA FRONTEIRAS DA REALIDADE
DESPERTA O BEM SOCIAL
ACESSA O AMOR DIGITAL
FAZ DA CRIANÇA UM CIDADÃO

POSITIVO PRA NAÇÃO
NA REDE NOSSAS VIDAS VÃO SE TRANSFORMAR
DO VENTRE MAIS UM SER NASCERÁ
O DIA DE GRAÇA QUE O “MESTRE” CANTOU
JÁ RAIOU!

O MEU PAVILHÃO É MINHA PAIXÃO!
A LUZ DA CIÊNCIA É ELA...
É SAMBA, É JAQUEIRA QUE NÃO VAI TOMBAR
SOU PORTELA!

MÃOS UNIDAS PELA INCLUSÃO
POVOS, RAÇAS EM COMUNHÃO
VAI MEU VERSO AO MUNDO ENSINAR
É PRECISO NAVEGAR!
BRILHOU NO CÉU MAIS UM SINAL
CRUZANDO O ESPAÇO SIDERAL
PORTELA... PORTAL CULTURAL DE UM PAÍS
UM “LINK” COM A NOSSA RAIZ
RAINHA DA PASSARELA
REVELA UM RIO DE PAZ PRA VIVER
A SENHA DE UM AMANHECER
MAIS FELIZ

MINHA ÁGUIA GUERREIRA
VAI VOAR... VIAJAR!
POUSAR NO SONHO DE GANHAR O CARNAVAL
E CONQUISTAR O MUNDO VIRTUAL!

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